Curitiba - A juíza substituta da 2 Vara da Fazenda Pública, Angela Maria Machado Costa, garantiu a nomeação do assessor político João Baptista Portella no cargo de educador social da Prefeitura de Curitiba. A decisão foi proferida no dia 8 de novembro do ano passado, mas somente ontem Portella conseguiu uma execução provisória para garantir o direito ao cargo imediatamente. O ofício, assinado pelo escrevente juramentado Alexandre Cascaes Mikos, foi entregue ontem ainda na Procuradoria Geral do Município.
Portella passou em concurso público para educador social em 1995. Ele foi aprovado no exame escrito, mas reprovado no teste psicológico. ''Eles alegaram que eu tinha perfil autoritário e por isso não poderia trabalhar com crianças'', reclamou ele. Portella recorreu da decisão. A Prefeitura de Curitiba chamou então o concursado para diversos exames de saúde como avaliação psicológica e psiquiátrica, teste de Aids, exercícios ergométricos, cardiológicos e chapas da região do tórax. Uma decisão judicial evitou que os exames de Aids e a avaliação psicológica fossem realizados.
''Passei então a fazer os demais exames, mas nunca estava completo. Sempre pediam que eu fizesse um teste a mais, um exame a mais'', disse ele. Foram nove anos de ações judiciais para conseguir o direito ao cargo. Ontem, alguns simpatizantes fizeram uma passeata ao lado de Portella no Centro Cívico. Portella é atualmente assessor do deputado estadual Tadeu Veneri (PT).
Quando fez o concurso para educador social, Portella queria concretizar o sonho de trabalhar com crianças. Ele mesmo foi interno em cinco orfanatos de Curitiba, São José dos Pinhais e Londrina. Em todos, ele disse que atuou como líder. ''Desde que era menino já era escolhido para liderar os mais novos. Achei que poderia continuar trabalhando e cuidados dos menores. Quero contribuir para que Curitiba tenha de fato uma política pública para a criança e para o adolescente'', enfatizou.
O procurador Geral do Município, Maurício Ferrante, informou ontem que a Prefeitura de Curitiba vai recorrer da decisão. No entanto, Portella deverá ser integrado aos quadros funcionais na semana que vem. O Núcleo de Recursos Humanos deverá chamá-lo para entrevista e encaminhamento para estágio probatório para fins de estabilidade e incorporá-lo em creches ou em programas sociais.

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