Justiça Federal assume caso da 'Baronesa do Sexo'
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quinta-feira, 04 de novembro de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O processo criminal contra Mirlei de Oliveira, 47 anos, conhecida em Curitiba como ''Baronesa do Sexo'', será encaminhado à Justiça Federal. A decisão foi confirmada, ontem, pelo juiz da 7 Vara Criminal de Curitiba, Luiz Taro Oyama. Diante da acusação de tráfico internacional de mulheres, o juiz declinou da competência de conduzir o caso. Mirlei teria mandado, pelo menos, duas garotas de programa para atender clientes nos Estados Unidos.
Mirlei é acusada, também, de incentivo à prostituição, tráfico de drogas e extorsão. Ela foi presa no dia 25 de setembro, em Balneário Camboriú, Santa Catarina, enquanto, segundo a polícia, tentava agenciar duas mulheres. Outras duas pessoas que teriam ajudado Mirlei a extorquir R$ 4,5 mil de um empresário norte-americano, que se casou com uma ex-garota de programa, também estão presas.
Em seu depoimento ao juiz da 7 Vara Criminal, ainda no final de setembro, Mirlei alegou que o valor seria, na verdade, a dívida da ex-garota de programa com ela com passagens aéreas, corridas de táxi, despesas médicas etc. e que apenas cobrou esse dinheiro do empresário. Mirlei revelou que bancou a ida da garota de programa para os Estados Unidos, atendendo o pedido de seu cliente.
O advogado de Mirlei, Antônio Henrique Amaral Rabello de Mello, disse que aguarda julgamento do pedido de habeas corpus impetrado no Tribunal de Justiça (TJ). Segundo ele, como o processo será repassado à Justiça Federal, o TJ pode também declinar da competência para julgar o pedido de liberdade e encaminhá-lo ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região. Mirlei ficou, inicialmente, detida no 9º Distrito Policial (DP) de Curitiba, mas por questões de segurança foi transferida para a Penitenciária Feminina, em Piraquara, região metropolitana, no dia 1º de outubro.
A ex-garota de programa pivô da acusação de extorsão contra Mirlei prestaria depoimento, hoje, como testemunha na 7 Vara Criminal, mas a audiência, segundo Oyama, foi cancelada em virtude da mudança de competência.
M.L., que veio dos Estados Unidos exclusivamente para prestar o depoimento, fez contato com a reportagem da Folha. Ela disse estar indignada com a decisão da Justiça e insistiu que quer ser ouvida, pois teria várias provas contra Mirlei. M.L. disse, também, temer por sua segurança e a de seus familiares. Na tarde de ontem, ela foi até a Assembléia Legislativa pedir o apoio de políticos, o que não foi possível já que a sessão aconteceu pela manhã.


