Buenos Aires, 2 (AE) - O juiz espanhol Baltazar Garzón pediu a captura internacional de 98 ex-repressores argentinos com a intenção de extraditá-los para julgamento na Espanha. As acusações sobre os militares argentinos que participaram da última Ditadura (1976-83) são a de genocídio e terrorismo de Estado. Na lista de Garzón estão os ex-generais Jorge Rafael Videla e Leopoldo Fortunato Galtieri, o ex-almirante Emilio Massera e o general Antonio Bussi, que deixou há poucos dias o cargo de governador da província de Tucumán. Garzón investiga desde 1996 as violações aos Direitos Humanos de espanhóis na Argentina.
Com a medida de Garzón, a Argentina transformou-se em uma "jaula" para os ex-repressores, que não poderão sair do país sob o risco de terem o mesmo destino do general chileno Augusto Pinochet.
A Justiça argentina, no entanto, está de mãos amarradas: um decreto do presidente Carlos Menem impede explicitamente que a Justiça colabore com as investigações de Garzón. Menem defende o princípio de territorialidade, que implica que um argentino somente possa ser julgado na Argentina por crimes cometidos no próprio país. O governo argentino recusou-se a comentar a decisão do juiz espanhol, alegando que sua posição "já é conhecida".
Uma alta autoridade do exército argentino disse ao Estado que "existe preocupação" pelos recentes acontecimentos. A preocupação aumentou há poucos dias com a eleição de Fernando De la Rúa para presidente do país, pela coalizão Aliança UCR-Frepaso, onde existem influentes defensores dos Direitos Humanos. Antecipando que Garzón poderia pedir a captura de ex-repressores, De la Rúa disse ao Estado recentemente que não interferirá na decisão que a Justiça tomar sobre os casos, mas disse que preferiria "que os crimes cometidos na Argentina fossem resolvidos aqui".
Alba Lanzilotto, integrante da organização "Avós da Praça de Maio", disse à Agência Estado que apóia a decisão de Garzón, já que "no meu país a Justiça não foi cumprida. Achamos bom que a Justiça seja feita em algum lado. Para os crimes contra a Humanidade, não existe regionalidades".
Lanzilotto, que possui duas irmãs e uma sobrinha desaparecidas, não possui esperanças que o governo De la Rúa vá agir a seu favor: "os Direitos Humanos foram esquecidos nas plataformas políticas destas eleições".
Especula-se que o pedido de extradição dos militares poderia ser enviado à Chancelaria argentina após a posse do novo presidente, no dia 10 de dezembro. Se for assim, o novo chanceler teria um olhar favorável sobre o caso, já que tudo indica que será o deputado Rodolfo Terragno, que esteve exilado em Londres durante a Ditadura.

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