Rio, 23 (AE) - A Justiça espanhola negou o pedido de extradição do empresário Avelino Fernandez Rivera, um dos sócios da empresa Bateau Mouche, dona do barco do mesmo nome que naufragou no réveillon de 1989, provocando a morte de 55 pessoas
na Baía de Guanabara, no RJ. A decisão foi anunciada no dia 19. O outro sócio espanhol da empresa, Faustino Puertas Vidal, foi condenado a quatro anos de prisão por homicídio culposo e sonegação fiscal. Rivera e Vidal estão na Espanha há cinco anos.
O advogado das famílias das vítimas do Bateau Mouche, João Tancredo, disse que a decisão da Justiça espanhola poderá ser modificada, pois o processo está em fase preliminar. Segundo Tancredo, o pedido de extradição de Vidal foi aceito porque, ao contrário de Rivera, ele foi considerado culpado pela Justiça brasileira. "No dia do naufrágio, apenas Vidal e o outro sócio deles, o português álvaro Pereira da Costa, estavam no cais antes de o Bateau Mouche partir, por isso o juiz entendeu que Rivera não pode ser responsabilizado pelas mortes", explicou.Tancredo disse que será muito difícil conseguir uma sentença em caráter definitivo favorável às vítimas no caso de Rivera, porque o tratado de extradição prevê o julgamento, na Espanha, de cidadãos espanhóis que cometeram crimes no Brasil.
Desde o início do processo, Rivera se exime de culpa no naufrágio atribuindo à Marinha um erro no cálculo da capacidade do barco. Segundo ele, a Marinha estabeleceu que cabiam 155 passageiros no Bateau Mouche, quando o número máximo de pessoas, como ficou comprovado pela perícia, era de 88 pessoas.
O presidente da associação Bateau Mouche Nunca Mais, Bernardo Amaral, filho da atriz Yara Amaral, que morreu no acidente, classificou a decisão espanhola em relação a Rivera de "um banho de água fria". Amaral havia ido à Espanha para entregar o pedido de extradição junto com o ex-ministro da Justiça Renan Calheiros e estava confiante."Perdemos essa batalha, mas não vamos desistir, porque, apesar de o caso Bateau Mouche ter se transformado em um ícone da impunidade, ainda temos esperança de que se faça justiça", disse Amaral.
Onze anos depois da tragédia, nenhuma das famílias recebeu indenização. Tancredo, que tem 28 ações na Justiça relativas ao caso, disse que o total das indenizações chegaria a R$ 60 milhões.

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