Madrid, 19 (AE-AP) - O Tribunal Constitucional da Espanha iniciou hoje (19) os debates sobre um recurso que poderá colocar novamente me liberdade membros da cúpula nacional do Herri Batasuna (Partido Nosso País), braço político do grupo armado basco ETA. Os 23 líderes bascos foram condenados e sentenciados a sete anos de prisão pela Suprema Corte por colaborarem com terrorismo em dezembro de 1997. Uma decisão do Tribunal Constitucional a favor da apelação significaria a liberdade imediata de 22 membros presos, informou uma porta-voz da corte - outro líder basco já foi libertado por problemas de saúde. Não foi fixada nenhuma data oficial para o anúncio da decisão, embora a imprensa espanhola especule que o mesmo é aguardado para amanhã (20). Os líderes do Herri Batasuna foram julgados pela Suprema Corte por usarem o espaço gratuito de televisão durante a campanha eleitoral de 1996 para estimular o terrorismo. Na ocasião, o partido veiculou um vídeo onde pistoleiros armados do ETA propõem ao governo negociar a autonomia da região basca. De acordo com a imprensa, os 12 membros do Tribunal Constitucional estão divididos com relação à apelação. O debate irá concentrar-se nos argumentos de que os líderes bascos foram condenados apesar da insuficiência de provas e da violação do princípio de inocência. Os vereditos de culpa e as longas sentenças impostas aos líderes do Herri Batasuna foram interpretados como um forte golpe à expressão do separatismo basco - que reivindica um estado basco independente nas províncias do norte da Espanha e sul da França. Além da prisão dos líderes políticos, a polícia espanhola obteve
recentemente, uma série de sucessos no combate aos terroristas - aparentemente desarticulando seriamente a estrutura militar do ETA. Tais fatores vêm estimulando o grupo terrorista a buscar o diálogo com o governo. O ETA já matou mais de 800 pessoas desde que iniciou sua violenta campanha em 1968. Em setembro do ano passado, o grupo pediu um cessar fogo indefinido e, desde então, teve uma rodada preliminar de negociações com o governo. A nova direção do Herri Batasuna possui uma política mais moderada do que a junta que substitui. Integrada agora à coalizão política Euskal Herritarrok (Partido Popular Basco), a nova direção tem liderado campanhas para aumentar a participação de seus representantes eleitos em instituições políticas regionais. Os radicais boicotavam tais instituições, dizendo que comprometiam a aspiração pela plena independência basca.

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