Rio, 15 (AE) - A briga familiar que vinha tomando conta da DuLoren teve uma trégua hoje, depois de uma decisão judicial que deu o controle da empresa ao acionista Roni Argalji, primo do outro diretor da companhia, Nathan Argalji. Até hoje os dois brigavam pelo controle da fabricante de roupas de moda íntima.
Segundo Roni, Nathan pretendia demitir 400 dos 1,4 mil funcionários da empresa a fim de enxugar o orçamento, enquanto ele defende o aumento da produção através da conservação dos empregos. Roni Argalji tem como aliada sua irmã, Raquel Argaman, que, como ele, tem 25% das ações. Ele havia entrado na Justiça pelo controle da DuLoren, uma vez que Nathan e seus cinco irmãos detêm 10% de participação cada um.
Roni conseguiu liminar do juiz da 20ª Vara Cível, Rogério de Oliveira Souza, que tornou indisponíveis 10% dos papéis que haviam sido comprados por Nathan de um dos seus irmãos. A venda foi suspensa porque as ações teriam de ser oferecidas aos outros acionistas antes de ser fechado o negócio.
Segundo Roni, a política de Nathan é "arcaica e retrógrada". O novo acionista controlador tem como meta recolocar a DuLoren no topo do ranking nacional do segmento de moda íntima, posição perdida depois que um incêndio destruiu a principal fábrica da empresa, em Vigário Geral (zona norte do Rio), em 1997, que produzia 1,5 milhão de peças por mês.
Hoje, a produção é de 1 milhão de peças e o faturamento mensal, de R$ 5 milhões. Roni acusa Nathan de ter feito a empresa perder mercado, por não entregar pedidos no prazo. "Nossa demanda é superior à produção, então temos que investir em pessoal para voltarmos a ser líderes", afirmou Roni.
Manifestação - Com medo das demissões, cerca de mil funcionários protestaram em frente à sede da DuLoren antes da assembléia. O advogado de Roni Algarji, Francisco Antunes Mussnich, disse que a manifestação pesou na decisão judicial, "por ter mostrado a dimensão da responsabilidade social da empresa", que, segundo ele, só será assegurada com a gestão de Roni. "A comunidade da região é muito pobre e gira em torno da fábrica", contou Mussnich. "Demissão em massa causaria uma enorme insegurança", advertiu. Procurado, Nathan Argalji não quis dar declarações.

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