Londrina - A juíza substituta da 2 Vara da Fazenda Pública de Londrina, Rosângela Faoro, deferiu pedido de liminar e determinou o embargo do crematório em construção no Distrito da Warta. O prédio vem sendo edificado às margens da Rodovia Carlos João Strass, Zona Norte.
Na ação popular, o empresário José Mizael Avelar Odebrecht alegou que a lei 7.122/1997 criou a rota gastronômica entre o Patrimônio Heimtal e a Warta. Atualmente, 12 estabelecimentos exploram essa atividade na região e atraem grande público, principalmente nos finais de semana, e o crematório poderia trazer prejuízo para os comerciantes. ''Esse estabelecimento (crematório) iria prejudicar mais de 120 pessoas que trabalham nesses restaurantes. Imagina o consumidor desfrutar de uma comida boa e ver um crematório da janela'', criticou Odebrecht.
Na liminar, a juíza aponta a existência do requisito da verossimilhança da alegação: ''O que se verifica é que, aguardar o final da demanda para, eventualmente, mandar demolir o que foi feito, constituir-se em um notável prejuízo, não só para o autor, porque o crematório já poderia estar em pleno funcionamento, como para o próprio réu Crematórios do Brasil Ltda., que depois de todos os investimentos realizados, teria que desfazer sua obra gastando duplamente''.

Obra em andamento
Rosângela Faoro determinou a intimação do proprietário do crematório, construtor e operários sobre a decisão. A liminar foi expedida no último dia 10, mas a obra segue em andamento. Ontem, a FOLHA flagrou cinco pedreiros erguendo a parede frontal do barracão. ''Sou empregado, não estou sabendo de nada'', disse um deles tentando se explicar. ''A gente está esperando a publicação para o efetivo embargo da obra'', salientou o advogado de Odebrecht, Flávio Vieira Martins.
O gerente do crematório em Londrina, José Miro, disse desconhecer a decisão judicial. Nenhum responsável pela empresa foi localizado na sede do Crematórios Brasil Ltda., em Curitiba.
Comerciantes e moradores do Distrito da Warta comemoraram a decisão judicial. ''Se tem uma lei, deve ser cumprida'', enfatizou o comerciante Rodrigo Oliveira Alves. ''Não somos contra (o crematório), somos contrário ao lugar onde ele é construído'', comentou o farmacêutico Adilson Myszynski. ''O que tememos é que haja um 'Cavalo de Tróia' e essa mudança de zoneamento passe na Câmara'', alertou José Mizael Odebrecht. ''Vamos reivindicar incentivos para que se desenvolva ainda mais nossa rota gastronômica'', afirmou o empresário Pedro Escapilato.

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