Londrina - Quando o assunto é morosidade da Justiça, a população da Região Sul só não é mais crítica do que a do Sudeste. É o que revela um estudo com indicadores da percepção social sobre a Justiça, feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e divulgado ontem. Foram ouvidas 2.722 pessoas de todo o País.
Em uma escala de 0 a 4 - em que 0 é muito mal, 1 é mal, 2 é regular, 3 é bem e 4 é muito bem - a Região Sul avaliou a rapidez da Justiça como 1,15. A Região Sudeste registrou 1,05. Outros quesitos como acesso (1,48), custo (1,58), honestidade (1,21) e imparcialidade (1,20) também foram mal-avaliados.
Para o diretor do Fórum em Londrina, Luis Sérgio Swiech, o problema da morosidade no Brasil é antigo. ''O número de ações na cidade aumentou nos últimos anos em média de 20% a 25%. A estrutura, funcionários, entre outros, não acompanham esse aumento''.
De acordo com o diretor, há cerca de 33 mil processos em andamento nas dez Varas Cíveis, seis Varas Criminais e quatro Juizados Especiais Cíveis da cidade. ''Por mês cada uma dessas varas recebe aproximadamente 350 novas ações'', revelou.
Swiech aponta também que outra causa da morosidade da Justiça ''é a quantidade elevada de recursos que a lei permite.'' Entre as medidas que estão sendo adotadas para reduzir a lentidão da Justiça, o diretor destaca a ''implantação dos processos digitalizados que facilitam e agilizam o trabalho de todos, de advogados a cartórios e juízes.'' Em relação à legislação permissiva a recursos, Swiech comentou que ''tramita no Congresso o novo Código Civil, o qual diminuirá a quantidade de recursos''.
''O que não dá para entender é por que, num país com um sistema extenso de seguridade social, com um código do consumidor moderno e com o consumo crescente, as pessoas não busquem o litígio nos casos de previdência e relações comerciais. Será que é falta de confiança na Justiça?'', questionou Fábio de Sá e Silva, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea.
Problemas de família, nas relações de trabalho e entre vizinhos são os três conflitos mais comuns enfrentados pelo brasileiro. Juntos, os três itens respondem por 52% entre os 13 problemas mais graves indicados por cidadãos no estudo do Ipea. Os problemas de família lideram as queixas, com 24,86%.
A pesquisa também mostra que os brasileiros não gostam de levar todos os conflitos para a Justiça, mesmo os que ocorrem com frequência. O quesito ''problemas com empresas com as quais fez negócio'', que ocupa o sexto lugar entre os conflitos mais comuns, é aquele em que os brasileiros menos gostam de acionar a Justiça.
A pesquisa apontou também que o brasileiro considera ruim o trabalho de investigação da Polícia Civil, com ficou com média 1,81. Para o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Márcio Amaro, o estudo é generalizado, por isso é ''complicado trazer para nossa realidade.'' ''O que posso dizer é que 80% dos homicídios na cidade neste ano foram elucidados, ou seja, a polícia busca cumprir seu papel com excelência'', afirmou.
No entanto, Amaro confessa que na investigação de crimes mais leves, como furtos, a polícia tem falhado. ''A demanda é muito grande e falta estrutura, pessoal. Nós trabalhamos priorizando os crimes mais graves, não tem como suportar toda demanda e isso acontece em todo sistema judiciário''.(Com Agência Brasil)

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