Justiça dos EUA estimula "terrorismo", diz governo cubano.
Havana, 10 (AE-ANSA) - O governo cubano afirmou hoje (09) que a decisão de um júri federal dos Estados Unidos em Porto Rico, que absolveu um grupo de pessoas da acusação de conspirar para assassinar Fidel Castro, "é um inquestionável estímulo a terroristas, gangsteres e mercenários".
Em novembro de 1997, um grupo de exilados cubanos, ligados à Fundação Nacional Cubana-Americana (FNCA), com sede em Miami, saíram em uma pequena embarcação de Porto Rico rumo à Ilha Margarita, na Venezuela, com a intenção de assassinar Fidel, que participava da VII Cúpula Ibero-Americana, segundo a investigação judicial.
"A decisão desse júri federal dos Estados Unidos é um inquestionável estímulo a terroristas, gangsteres e mercenários que se sentem no direito de assassinar e caçar, como em uma selva, com absoluta impunidade, dirigentes políticos de outros Estados", afirma uma declaração do governo cubano.
Os serviços de segurança cubanos registram mais de 600 tentativas de assassinatos contra Fidel Castro desde o triunfo da revolução cubana, em janeiro de 1959.
"Não pretendemos culpar o governo dos Estados Unidos por essa abominável decisão de um júri equivocado e corrupto, mas é motivo de tristeza que tenha ocorrido em um momento tão inoportuno, quando nosso povo está profundamente sensibilizado pela atroz ação do sequestro de um menino cubano", acrescenta o comunicado oficial publicado hoje pelo Granma.
A decisão do tribunal federal norte-americano em Porto Rico ocorre em um momento em que Cuba reclama a devolução do menino Elián Gonzalez, o único sobrevivente de uma travessia de emigrantes ilegais em uma embarcação que naufragou no mar, causando a morte de 10 pessoas, entre elas a mãe e o padrasto da criança.
O pai de Elián, Juan Miguel Gonzalez, exige seu imediato retorno a Cuba. No início desta semana, Fidel denunciou que a FNCA ofereceu US$ 2 milhões a Gonzalez para que ele se radicasse em Miami com seu filho.
Desde domingo passado, centenas de milhares de cubanos vêm protestando em frente à Seção de Interesses dos Estados Unidos em Havana para exigir o retorno do menor a Cuba.





