Justiça do Trabalho proíbe piquete de vigilantes
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de fevereiro de 2005
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Paraná concedeu ontem interditos proibitórios em caráter liminar para três empresas de transportes de valores de Curitiba. Isso significa que os trabalhadores em greve ficam proibidos de fazer piquete em frente às empresas para impedir a entrada de quem quiser trabalhar. O receio do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região Metropolitana é que as empresas tragam trabalhadores de outros estados para realizar o transporte de dinheiro, podendo gerar conflito com os paranaenses.
A decisão judicial foi concedida às empresas Proforte S/A Transporte de Valores, Transbrank S/A Transporte de Valores e TGV Transportadora de Valores e Vigilância Ltda. A juíza substituta da 14 Vara do Trabalho de Curitiba, Edilaine Stinglin Caetano, determinou que ''os réus abstenham-se de praticar atos de perturbação ou esbulho (espoliação) contra a posse dos requerentes, resguardando-se a manutenção de suas posses e do livre uso das suas sedes, e direito de ir e vir dos seus empregados e veículos, além do acesso, saída e circulação pelas vias públicas sem embaraço''.
Ontem à tarde, segundo a assessoria de imprensa do TRT, as entidades sindicais que representam esses trabalhadores foram informadas oficialmente da decisão. Uma multa diária de R$ 50 mil foi fixada para o caso de descumprimento da ordem judicial.
A decisão preocupa o sindicado da categoria. ''Se as empresas trouxerem pessoal de fora para trabalhar vai ter uma guerra na portas das empresas porque os trabalhadores não vão admitir, não vão deixar'', alertou o presidente do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região Metropolitana, João Soares. As negociações para o fim da greve não avançaram, mesmo com sete dias de paralisação.
Entre as reivindicações da categoria, estão o reajuste salarial equivalente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do período próximo de 6% , aumento real de 4% e aumento do adicional de risco de vida de 20% para 30%. A proposta dos empresários, rejeitada pelos trabalhadores, foi a reposição do INPC e um abono de 20% do piso salarial.
Como o dinheiro está ficando acumulado dentro das agências, o Sindicato dos Bancários está preocupando com a segurança dos trabalhadores e dos clientes. Ontem, o sindicato fechou durante a manhã três agências centrais do Unibanco em Curitiba em protesto à falta de segurança. Segundo a presidente do sindicato, Marisa Stédile, o Unibanco é o único que se recusa a colocar portas giratórias com detector de metais. ''Protestamos também porque já denunciamos que em alguns bancos o dinheiro está sendo levado pelas transportadores que levam documentos, sem segurança nenhuma'', reclamou.
A paralisação também está causando transtorno nos caixas eletrônicos dos bancos. Como o serviço de abastecimento de dinheiro nos caixas é realizado pelo pessoal que está em greve, apenas algumas poucas agências têm apenas uma máquina funcionando, que pode ser abastecida pelos próprios funcionários dos bancos. Porém, para usar esses caixas as pessoas estão enfrentando filas.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Valores do Paraná (Sindivalores), Gerson Pires, não atendeu a reportagem da Folha.


