Curitiba- A Justiça Federal reconheceu mais um caso de união estável entre homossexuais no Paraná e concedeu uma liminar com tutela antecipada para que o escocês Gerald Gary Strickland permaneça no Brasil até que o mérito da ação seja julgado. Strickland está no Paraná há cinco meses com o brasileiro Fábio Luiz Barbosa. Os dois se conheceram na Escócia e há dois anos moram juntos. Quando resolveram retornar para o Brasil, eles já sabiam o que teriam que passar. ''O Gerald ficou aqui por dois meses e começou a se esconder para não ser visto, nem deportado para a Escócia. A liminar deu um novo ânimo à vida dos dois'', afirmou a advogada Silene Hirata, que trabalha no Grupo Dignidade, instituição voltada para defesa dos homossexuais.
A ação foi ajuizada na 1 Vara Federal de Curitiba no dia 18 de agosto. A sentença com a liminar foi dada pelo juiz Friedmann Anderson Wendpap dois dias depois. No dia 24 de agosto, o juízo notificou a Polícia Federal sobre a decisão judicial de permanência do estrangeiro no Brasil até o julgamento da ação. O intuito da advogada Silene Hirata é garantir a permanência e livre circulação de Strickland no Brasil. Para isto, já entrou com um pedido de análise do processo no Conselho Nacional de Imigração, em Brasília.
''A Justiça Federal não tem mais como se pronunciar contra união estável de casais homossexuais. Seria como apoiar a discriminação contra homossexuais. Estamos formando um caldo jurídico de decisões que favorecem o reconhecimento de uniões estáveis. As pessoas já estão respeitando as uniões homossexuais'', argumentou ela. Depois da liminar, o casal homossexual resolveu comprar uma chácara na Região Metropolitana de Curitiba onde está construindo um chalé. Por enquanto, segundo a advogada, preferem não manter contato com a imprensa.
Este é o segundo caso de reconhecimento de união entre homossexuais na Justiça Federal do Paraná. A primeira decisão foi em novembro de 2003 e envolveu o professor Toni Reis (coordenador do Grupo Dignidade) e o tradutor inglês David Ian Harrad. ''Enquanto aguardamos a decisão final do processo, vamos continuar trabalhando e morando no Brasil'', informou Harrad, em entrevista à Folha.

mockup