Justiça do PR decreta prisão de ex-delegado-geral2/Mar, 19:35 Por Wilson Tosta Curitiba, 02 (AE) - A Justiça do Paraná decretou hoje a prisão do ex-delegado-geral da Polícia Civil João Ricardo Keppes de Noronha, acusado de envolvimento com o crime organizado no Estado. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico havia pedido a prisão temporária de Noronha, que, apesar de convocado, não compareceu para depor na comissão. O pedido de prisão havia sido feito ao Ministério Público (MP) depois que o ex-delegado enviou ofício à CPI. No ofício, alegava não poder comparecer por estar com problemas de saúde e pelo fato de não ter sido intimado oficialmente. A CPI considera Noronha foragido, disse o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS). Ainda hoje, o governador Jaime Lerner (PFL) demitiu o delegado, que estava afastado do cargo desde que surgiram as primeiras acusações contra ele e a cúpula da Polícia Civil. O caso colocou em risco a permanência do secretário da Segurança do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, que, na véspera, prometera que Noronha compareceria. Hoje, Oliveira também foi convocado para depor. Até o fim da tarde, Lerner não se pronunciara sobre o caso. Segundo assessores, não havia previsão de que o governador desse declarações sobre a atuação da CPI e suas consequências no Paraná. A CPI também pediu a prisão do delegado Mário Ramos, do Centro de Operações Policiais Especiais. A ausência de Noronha, que prometeu estar à disposição da CPI somente no dia 13, irritou os deputados. "Isso é uma vergonha", disse o relator da comissão, deputado Moroni Torgan (PFL-CE). A situação do delegado ficou ainda mais complicada com o depoimento à CPI do advogado Hugo Ramos de Oliveira. Segundo ele o delegado e sua equipe, há alguns anos, forjaram um flagrante contra o policial Belford Bittencourt, cliente de Oliveira e ligado ao tráfico, com testemunhas falsas. O objetivo era levar Belford para a prisão e fazer a queima de arquivo, acusou. O advogado disse que conseguiu provar, em juízo, a montagem, o que levou a Justiça a inocentar o policial e determinar que Noronha fosse responsabilizado, o que não ocorreu. Ramos também denunciou o suposto envolvimento de policiais da Delegacia Anti-Tóxicos - conhecida como "casa dos horrores" - com extorsões, torturas e assassinatos. Uma das vítimas foi o estudante Marlos Moraes, preso sob acusação de porte de droga e que morreu após cerca de um mês nessa delegacia. O presidente da CPI, Magno Malta (PTB-ES), anunciou hoje a decretação pela Justiça das prisões dos policiais Mauro Canuto Castilho de Souza Machado e Marco Antonio Germano. As prisões temporárias (por 30 dias) foram decretadas pelo juiz Rogério Edson. Segundo Torgan, os dois foram convocados nas 48 horas anteriores e não compareceram. Foram considerados foragidos.