Curitiba- Investigadores de polícia e informantes negaram ontem participação no esquema de pedofilia associado a extorsões que culminou com a prisão de 26 pessoas pela Operação Navalha na Carne. Os acusados foram denunciados pelo Ministério Público (MP) estadual por formação de quadrilha, estupro, atentado violento ao pudor e exploração sexual infanto-juvenil. Os depoimentos foram em sigilo, numa sala do Fórum Criminal de Curitiba.
A Folha conversou com advogados de defesa dos acusados, que alegam inocência. ''Não existem provas na denúncia do Ministério Público. Apenas o depoimento de uma testemunha, que relatou como todo o esquema se desenvolvia'', disse o advogado criminalista Peter Amaro de Sousa.
Sousa defende a principal líder do suposto esquema, L.P.C, de 21 anos, que detalhou como funcionava o esquema. Conforme depoimentos ao MP, no início de 2005 ela teria iniciado a agenciamento de adolescentes de mais de 12 anos para exploração sexual e comercial infantil. A irmã dela ia buscar as colegas na escola. As meninas eram oferecidas para sexo numa sala de bate-papo na Internet. Os encontros eram marcados num motel. Policiais de vários distritos fariam parte do esquema e sempre davam segundo depoimento dela flagrante no momento do programa.
As supostas vítimas (que se aproveitavam das adolescentes) eram levadas até a delegacia, onde eram extorquidas. Normalmente, eram pedidos R$ 5 mil para que não fosse feito um inquérito policial por abuso ou estupro (por se tratar de adolescente). Os valores pagos eram divididos entre os policiais, delegados e participantes do esquema. As adolescentes receberiam entre R$ 100 e R$ 200 por programa.
Apesar de ter relatado na fase inicial como ocorriam os programas, L.P.C. agora deverá voltar atrás no depoimento. O advogado garante que ela foi induzida a erro. ''Ela acreditou em promessas de que se livraria em três dias da cadeia se inventasse a história. Ela fantasiou. Inventou tudo. Ela é inocente e os demais também'', garantiu ele, que está há menos de uma semana no caso.
L.P.C. será ouvida dia 25, juntamente com réus que estão em liberdade. Ela está presa desde 18 de abril e cumpre detenção provisória na Penitenciária Feminina de Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba. Investigadores do 4º, 7º e 12º distritos policiais foram denunciados. Duas pessoas estão foragidas: um delegado e uma mulher, que seria secretária de L.P.C..
Na operação foram presos supostos integrantes da quadrilha quando o filho de uma vítima de extorsão denúncia à Corregedoria Geral da Polícia Civil. O pai teria sido preso e estariam exigindo dinheiro para que ele fosse liberado.

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