PEDRO CANÁRIO - O juiz Sebastião Mattos Mozine, de Pedro Canário (ES), revogou ontem a prisão preventiva do líder sem-terra José Rainha Júnior. Rainha era procurado pela Justiça capixaba desde 19 de março, por não ter comparecido ao julgamento em que é acusado do assassinato do fazendeiro José Machado Neto e do PM Sérgio Narciso, em 1989. Novo julgamento de Rainha foi marcado para o dia 10 de junho, às 12h30, no fórum de Pedro Canário (268 quilômetros ao norte de Vitória).
A revogação da prisão tinha sido acertada previamente entre o juiz e o advogado de Rainha, deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). Mozine havia se comprometido a deixar o líder sem-terra em liberdade até o julgamento, caso ele se apresentasse espontaneamente. ‘‘Entendo que o réu (Rainha) cumpriu com sua palavra e acredito que irá comparecer ao julgamento marcado. Não se trata de um privilégio a Rainha, qualquer outro caso semelhante terá tratamento idêntico’’, disse o juiz. Antes do encontro com o juiz, Greenhalgh dizia estar ‘‘seguro’’ de que seu cliente sairia de Pedro Canário em liberdade.
‘‘Ele só não compareceu a julgamento porque havia outro pedido de prisão preventiva em Pirapozinho (Pontal do Paranapanema), revogado na terça-feira (pelo STJ)’’, afirmou. Apesar do acordo, Mozine negou a transferência do julgamento para Vitória, como foi pedido pela defesa, temendo uma perseguição de parte da população da cidade. ‘‘O julgamento em Pedro Canário será justo. Não acredito que a cidade esteja contra o Rainha’’, declarou.
Rainha afirmou que na segunda-feira irá se juntar à marcha dos sem-terra a Brasília e que estará na capital federal em 17 de abril, quando haverá ato de protesto por um ano dos mortos em Eldorado de Carajás (PA). ‘‘Retomo minhas atividades imediatamente. Se o presidente nos receber em audiência (provavelmente em 18 de abril), estarei junto.’’

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