Justiça deverá decidir futuro da italiana Gucci Do correspondente Reali Júnior
Paris, 21 (AE) - A Justiça holandesa decidirá amanhã (22) o futuro da indústria do alto luxo na Europa: o controle da marca italiana Gucci, disputado pelos empresários franceses François Pinault e Bernard Arnault. A audiência prevista julgar a diferença de fundo que opõe esses dois grupos, prevista para o fim de abril, foi antecipada.
O grupo Arnault alega, entre outras coisas , que o que foi recusado pelo grupo italiano a LVHM foi concedido ao grupo de François Pinault, PPR. Entre outras coisas, os dois principais dirigentes de Gucci, Domenico de Sole e Tom Ford renunciaram às cláusulas contratuais de indenização para deixar suas funções no grupo em caso de mudança no controle acionário, o que não haviam feito anteriormente, quando da negociação com LVHM. Pinault não acredita nisso.
Tudo começou na sexta feira, pouco depois das 8 horas da manhã
no momento em que Bernard Arnault encontrava-se no carro em direção a Disneylandia França, onde deveria anunciar os resultados financeiros de seu grupo LVMH (queda de 29% em relação ao ano anterior), um império que reúne marcas famosas como Vuitton, Givenchy, Christian Dior, Lacroix, Guerlain, Pomery, Veuve Clicquot, Moet & Chandon, Hennessy, Hine, Sephora
Bon Marché e outros.
Qual não foi sua surpresa ao ouvir no rádio que o seu maior adversário, François Pinault, PPR (Printemps e Redoute ), acabava de adquirir não apenas 40 % do grupo Gucci, mas também as famosas marcas de alta-costura e perfumes, Yves Saint Laurent
Oscar de la Renta, Van Cleef & Arpels, Fendi, Roger & Gallet, um pacote da indústria de luxo negociado por Sanofi por US$ 1 bilhão ao grupo Artemis que integra o grupo PPR.
Bernard Arnoult ficou pouco tempo na convenção de seu grupo, onde só teve tempo de afirmar que a vitória de Pinault não duraria mais que poucas horas. De volta ao centro da capital, Arnault reuniu-se com sua equipe e, no período da tarde, reativou a batalha, lançando uma oferta pública de compra de ações para a aquisição da empresa italiana Gucci. Seu grupo está disposto a pagar 30 bilhões de francos ( US$ 5 bilhões) para recuperar Gucci.
Segundo estimativas de analistas do mercado, a oferta poderia chegar a algo em torno de US$ 85 ou US$ 95 a ação, sendo que a cotação do papel na Bolsa de Valores de Nova York, na sexta-feira, era de apenas US$ 81. Ele contesta também o projeto de aliança entre o grupo PPR de François Pinault e a empresa italiana, da qual é também um dos acionistas, com apenas 26,5% do capital.
Por isso, está propondo a compra da totalidade do grupo para impedir o sucesso de seu adversário François Pinault. Na nova configuração do grupo de acionistas, LVMH ficaria com 17,1 % das ações e François Pinault com 33,1 %.
A disputa entre os dois maiores capitalistas privados franceses, envolvendo muitas ambições, fortes egos e alguns bilhões de dólares não é tão recente.
Um primeiro conflito - pelo controle da participação acionária do grupo Grand Vision - já havia chamado atenção do mundo das finanças francesas, mas ninguém imaginava que esse caso ganharia tais proporções. Afinal, os dois empresários bilionários são vizinhos (moram no mesmo edifício). Vencido na primeira disputa, a revanche de Pinault veio com a compra de 40% de Gucci e o êxito da negociação com o Sanofi para o controle de Yves Saint Laurent, ambas cobiçadas por Arnault.





