Curitiba A Justiça Federal do Paraná determinou, através da concessão de liminar, a retomada integral e imediata dos trabalhos no Hospital de Clínicas (HC), mantido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em Curitiba. O pedido feito pelo Ministério Público (MP) federal tenta por fim à greve deflagrada na última segunda-feira pelo Sindicato dos Trabalhadores em Instituições de Ensino Superior (Sinditest) junto aos servidores técnico-administrativos. Até sexta-feira, 80 dos cerca de 2,4 mil funcionários do HC haviam aderido ao movimento, número pequeno mas preocupante, uma vez que alguns dos que cruzaram os braços estão lotados no setor de emergência clínica. A direção do HC também passou a controlar as internações, para evitar entrangulamento.
A liminar foi concedida na noite de anteontem pelo juiz federal substituto Ricardo Rachid de Oliveira, da 2 Vara Federal de Curitiba, em regime de plantão. O juiz deferiu pedido de antecipação da tutela (''pedido de urgência''). A diretoria do Sinditest deve ser notificada da decisão ainda neste final de semana, para que os grevistas retornem às atividades. Ricardo Rachid de Oliveira afirma, na antecipação de tutela, que ''(...) haverão de ser encontrados outros meios de pressão ou manifestação do justo inconformismo com a atual política salarial; todavia, nunca em prejuízo do atendimento médico e hospitalar da população''.
O comando de greve deve cumprir a decisão. A multa diária fixada por descumprimento da decisão foi fixada em R$ 60 mil para cada réu, no caso o próprio Sinditest e seu vice-presidente, Antônio Néris de Souza, citado como parte na ação civil pública ingressada pelo MP federal. Assim que for notificado, o Sinditest pretende reunir sua diretoria para discutir a decisão e estudar a possibilidade de recurso. A decisão pegou de surpresa o comando de greve, que estava tranquilo já que não recebeu nenhuma notificação judicial até as 18 horas de anteontem. O movimento aguardava maior adesão a partir desta segunda-feira, com base numa assembléia geral realizada na sexta-feira contando com cerca de 200 servidores técnico-administrativos.
A greve no HC é decorrente do não cumprimento do termo de compromisso assinado pelo governo federal, que previa o pagamento de uma gratificação em junho, retroativo a maio, e a implantação de um plano de carreira. A reinvindicação é nacional e as negociações com o Palácio do Planalto estão sendo conduzidas pela Federação de Sindicatos de Trabalhadores em Universidades Brasileiras (Fasubra). O Sinditest no Paraná afirma que a perda salarial da categoria chega a 127%. Pelo acordo entre governo e Fasubra, os servidores técnico-administrativos receberiam 32% já a partir de julho.
A maior greve no HC, em 2001, durou perto de 100 dias. Na ocasião, o hospital chegou a suspender o atendimento, encaminhando os casos graves para outras instituições. Os funcionários também voltaram ao trabalho por determinação judicial. Na greve de agora, a adesão foi menor e menos prejudicial. O HC é um dos hospitais mais importantes do Paraná, faz em média 2,4 mil consultas por dia, mantém cerca de 430 pacientes internados e realiza cerca de 50 cirurgias diariamente.

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