Barretos, SP, 09 (AE) - A Justiça determinou o sequestro dos bens do prefeito de Barretos, no interior de São Paulo, Uebe Rezeck (PMDB), e da empresa Edispel Construtora e Incorporadora, de Ribeirão Preto (SP), para garantir o pagamento de uma multa de R$ 266.436,86 (em valores atualizados), referente ao contrato de construção de um viaduto que desmoronou em 1998. Rezeck viajou para São Paulo hoje e está providenciando a defesa, segundo a assessoria. A Edispel espera notificação oficial da Justiça para recorrer .
Toda a obra construída pela Edispel, a Via das Comitivas
liga a cidade ao Parque do Peão. O viaduto passa sobre essa via
que faz parte da Rodovia Assis Chateaubriand, que liga Barretos e a Rodovia Faria Lima até Guaíra (SP). O viaduto caiu em março de 1998, poucos meses após a conclusão. Na época, a prefeitura não cobrou a multa contratual, de cerca de R$ 180 mil, e a Edispel refez a obra.
A ação popular contra o prefeito e a Edispel, que originou na decisão do sequestro dos bens, foi movida pelos advogados Nilson Agostinho e Nilza Maria Vicente e tem como autor Antônio Celso de Paula. A maioria dos documentos e das provas que instruíram o processo foi passada pelo advogado Loester Salviano de Paula, procurador do município até dezembro de 1998, que fez um dossiê contra Rezeck. O material foi enviado à Câmara, que montou um relatório, abriu uma comissão especial de inquérito (CEI) e arquivou o processo em julho, evitando a cassação de Rezeck.
Segundo o advogado de Loester, Silvio de Abreu, laudos dos Institutos de Criminalística (IC) e de Pesquisas Tecnológicas (IPT), foram incluídos na ação. Normas técnicas e especificações do edital não teriam sido cumpridas na construção do viaduto. O juiz Wagner Carvalho Lima, da 1ª Vara Cível de Barretos, além de determinar o sequestro dos bens, pediu a abertura de inquérito policial para apurar possível crime de desobediência - se Rezeck não entregou documentos ou descumpriu os prazos estipulados pela Justiça.
A advogada da Edispel, Mariza da Silva, disse que até hoje não havia recebido a sentença da Justiça. "Temos confiança em reformular essa decisão."

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