O juiz da 1ª Vara Cível de Londrina, Bruno Régio Pegoraro, determinou na tarde de ontem a reintegração de posse da Fazenda Figueira, no distrito de Paiquerê, na zona rural de Londrina, que permanece ocupada desde a última segunda-feira por mais de 1.300 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Na liminar concedida ontem, o magistrado acatou argumentação da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq) de que na área de 3,6 mil hectares são desenvolvidas pesquisas de campo no setor de pecuária, com mais de 5 mil cabeças de gado, e plantações de milho e aveia para alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Além da imediata reintegração de posse, a instituição pediu os bloqueios de veículos utilizados na invasão e de repasses de recursos públicos, o que não foi concedido pela Justiça.
O juiz atendeu parcialmente a ação imposta pela administração da fazenda e fixou multa de R$ 5 mil para cada dia que a invasão for mantida após a notificação. De acordo com a liminar, o oficial de Justiça deverá "na medida do possível, identificar os invasores" e estipula prazo de 15 dias para contestação. "Oficie-se à Polícia Militar para que preste todo o auxílio necessário aos exatos cumprimentos da ordem emanada", acrescenta a liminar.
Representante do movimento no Paraná, o diretor nacional do MST, Diego Moreira, informou que os trabalhadores rurais não foram notificados da decisão da Justiça até o início da noite de ontem. Ele também afirmou que o MST aguarda a reunião com as presenças do ouvidor agrário do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Raul Dergole, e do assessor especial para Assuntos Fundiários no Governo do Estado, Hamilton Serighelli, agendada para a tarde de hoje às 14h na Figueira. O Incra informou que a fazenda não faz parte das áreas previstas para desapropriação, mas que deve mediar as negociações no local. "Estamos cumprindo o que foi prometido e não estamos nas áreas de pesquisa e do gado", disse o diretor do MST que calcula que 300 famílias poderiam ser assentadas na fazenda com a manutenção das atividades de pesquisas. "Mais de 8 mil famílias aguardam por desapropriações no Paraná", comentou Moreira. De acordo com o Incra, a última certificação da Fazenda Figueira foi realizada em 2010 com informações enviadas pelos responsáveis pela área.
Em nota enviada à imprensa na terça-feira, a administração do local esclareceu que a área não pertence a Universidade de São Paulo (USP) e foi doada à Fealq em 1995. Ainda de acordo com a nota, a área também é usada para aulas no campo e atende alunos de universidades como UEL, UEM, USP, Unesp e outras instituições. Além disso, o local ainda possui a "Mata do Barão", segundo a entidade, a maior reserva de Mata Atlântica contínua em Londrina.
Procurada ontem pela reportagem, a administração da Fazenda Figueira preferiu não comentar a decisão da Justiça que concedeu a reintegração de posse da área invadida. Os representantes do 5º Batalhão da Polícia Militar também não foram localizados para confirmar informações sobre o cumprimento da ordem judicial.

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