Justiça determina prisão de lideranças do MST
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sábado, 15 de novembro de 2003
Marta Medeiros<br>Equipe da Folha 
Maringá - A Polícia Militar prendeu ontem o assentado Geovane Braun, 27 anos, dentro do Fórum de Loanda (102 km a oeste de Paranavaí). Braun é do assentamento Margarida Alves, de Querência do Norte, região de Paranavaí, e estava no Fórum verificando o andamento do processo sobre o assassinato do sem-terra Eduardo Anghinoni, ocorrido em 1998. A prisão temporária do assentado foi decretada pela Justiça a pedido da Polícia Civil de Nova Londrina (100 km ao norte de Paranavaí) que apura inquérito de furto de gado.
Braun é estagiário de Direito e milita no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). A Justiça decretou ainda a temporária de outros três líderes do movimento: Pedro Afonso Faustino, Fernando Dionízio e Pedro Alves Cabral, um dos principais coordenadores do MST na região Noroeste. Várias lideranças do movimento estavam ontem em Nova Londrina, com dois advogados, tentando revogar o pedido de prisão. No início da noite, a Justiça deferiu o pedido com alvará de soltura em favor de Braun para a polícia de Loanda. O pedido de revogação da prisão dos outros três líderes do movimento será analisado pela Justiça na próxima semana.
O clima na região é de animosidade desde a semana passada quando a Polícia Militar tentou realizar uma reintegração de posse na Fazenda Água da Prata, local considerado pela própria Ouvidoria Agrária Nacional como de maior conflito no Paraná. Uma ordem judicial, no entanto, adiou a reintegração para evitar um confronto violento entre a polícia e os sem-terra. O MST tenta desde a semana passada uma negociação com representantes dos governos estadual e federal para que o caso da Água da Prata seja tratado como ''uma questão social e não de polícia''. A fazenda está ocupada desde 1997.
No início da noite de ontem, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) do Paraná, emitiu nota classificando a atitude da juíza de Loanda como de ''perseguição política ao MST na região Noroeste''. Conforme a CPT, a juíza é parcial a favor dos ruralistas nas decisões envolvendo os conflitos agrários da região. A CPT também exigiu do governo do Estado uma solução para as famílias acampadas na Água da Prata.


