Justiça determina prisão de Beatriz Abagge
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de junho de 2016
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
O caso conhecido como "Bruxas de Guaratuba" teve mais um desdobramento no início deste mês. A Justiça determinou novamente a prisão de Beatriz Cordeiro Abagge, já condenada pela morte do menino Evandro Caetano ocorrida em 1992, no litoral do Paraná. Beatriz segue foragida, mas deve se apresentar em breve, segundo informou o advogado Samir Mattar Assad.
Em 1998, Beatriz e a mãe, Celina Abagge, foram absolvidas do crime. Porém, o Ministério Público recorreu da decisão e um novo julgamento foi realizado em 2011. As duas foram acusadas de ter assassinado o menino durante ritual de magia negra. O crime prescreveu para Celina em razão da idade. Ela já tinha mais de 70 anos quando foi realizado o júri popular. No entanto, Beatriz foi condenada a 21 anos e 4 meses de prisão. A defesa recorreu da decisão e Beatriz aguardava o desfecho em liberdade.
O advogado ressaltou que uma liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do Paraná cassou a decisão do júri e determinou que o juiz da Vara de Execuções Penais de Curitiba analisasse o indulto da pena. "Eles estão descumprindo essa liminar. O juiz da VEP não analisou, devolveu o processo para o Tribunal do Júri e o mesmo juiz decretou a prisão de novo. Estamos buscando na Justiça um novo habeas corpus para sanar essa ilegalidade", afirmou.
O novo pedido de prisão foi decretado na última sexta-feira. Mattar Assad informou que só teve acesso ao documento na tarde desta segunda-feira. "Ela já cumpriu 5 anos, 9 meses e 22 dias de prisão. Para que ela tivesse direito ao indulto era preciso cumprir 5 anos e 4 meses. Ela é mulher, tem filha menor de idade que depende dela e, por isso, preenche todos os requisitos necessários. A extinção da pena, no entendimento da defesa, é uma consequência que deverá acontecer nos próximos dias", ressaltou o advogado. "Ela tem interesse em se apresentar para a Justiça. A gente só vai aguardar agora, definitivamente, essa questão da análise do benefício a que ela tem direito, dentro do que foi decidido pelo Tribunal de Justiça", concluiu. A reportagem não conseguiu contato com o Tribunal do Júri.


