Londrina – Cerca de 20% dos ônibus do transporte coletivo de Londrina voltaram a circular na tarde de ontem, depois que a Justiça do Trabalho determinou a retomada parcial das atividades. A decisão da juíza Ziula Cristina de Silveira Sbroglio atendeu pedido do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo (Metrolon). A liminar exigia que 50% do efetivo voltasse ao trabalho.
Os coletivos começaram a rodar por volta das 14 horas. De acordo com a assessoria do Metrolon, 83 dos 383 ônibus da TCGL circularam no primeiro dia de greve. Na Londrisul, 25 dos 90 veículos da frota também rodaram. O número ficou abaixo do determinado pela Justiça. Outro problema é que muitos veículos circulavam sem cobrador. No despacho, Ziula Sbroglio estipulou multa do R$ 50 mil por dia pelo descumprimento da ordem judicial.
Nas primeiras horas do movimento grevista, ônibus foram impedidos de deixar a garagem da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), com registro de agressões físicas e verbais entre manifestantes e empregados, prejudicando cerca de 80 mil usuários do sistema.
"Não sei se eles conseguiram recursos humanos suficientes, mas não que o sindicato tivesse determinado que o pessoal continuasse aqui do lado de fora", argumentou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários (Sinttrol), João Batista da Silva.
O Sinttrol avaliou que o movimento grevista contou com 70% da adesão dos 1,7 mil empregados. Uma assembleia ocorrida no final da tarde de ontem deliberou pela continuidade do movimento grevista.
Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial de 13%, além de outros benefícios. As empresas oferecem 6% de aumento. O Sinttrol defende que o movimento é legítimo e deve recorrer da decisão judicial junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT). "Estamos analisando a estratégia jurídica, mas devemos pedir mediação do TRT. A juíza deu liminar que trata de matéria de direito de greve, entendemos que não é competência dela definir isso", defendeu o advogado do Sinttrol, André Silva.
Alternativas
Os passageiros tiveram que buscar alternativas para circular pela cidade ontem por conta da paralisação. Um dos serviços mais procurados foi o de mototáxi. Os passageiros, no entanto, queixaram-se de abusos. Alguns mototaxistas reajustaram o valor da corrida em mais de 200%. Trechos em que normalmente o cliente paga R$ 8, estavam custando até 25 na manhã de ontem.
A Promotoria de Defesa do Consumidor promete investigar a situação. "Recebemos várias denúncias e pedimos para a população formalizar, apresentando comprovante de pagamento. Podemos cobrar ressarcimento e abrir inquérito criminal", disse o promotor Miguel Sogaiar.(Colaborou Fernanda Carreira)

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