A juíza substituta da 3ª Vara Criminal, Deborah Penna, tornou público nesta sexta-feira (9) o processo que apura a possível incitação ao racismo do estudante de Direito Pedro Bellintani Baleotti, 25 anos. Ele está sendo investigado pela Polícia Civil de Londrina depois ter um gravado um vídeo em que aparece dizendo: ""indo votar... com arma, faca, pistola e o diabo. Louco pra ver um vagabundo com camiseta vermelha e já matar logo. Ó (vira o celular para um motociclista que está a sua frente), tá vendo essa 'negraiada' aí? Vai morrer, vai morrer! Aqui é capitão!".

Imagem ilustrativa da imagem Justiça derruba sigilo de investigação de estudante suspeito de racismo
| Foto: Saulo Ohara/Grupo Folha


Na gravação, o rapaz aparece com uma camiseta do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Em outro vídeo, ele manuseia um revólver, o que pode render um indiciamento por porte ilegal de arma de fogo. O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Osmir Ferreira Neves, espera concluir o inquérito até o fim do mês.

A Justiça também autorizou o acesso da defesa do suspeito ao mandado de busca e apreensão cumprido na semana passada no apartamento dele, na rua João Huss, Gleba Palhano, zona sul. O advogado Rafael Garcia Campos, que fez o pedido, não quis falar sobre o caso.

Os investigadores apreenderam um revólver calibre 38, uma espingarda de pressão e diversas munições, mas não encontraram nenhum material político-partidário que pudesse ter ligação com a filmagem. A juíza Deborah Penna permitiu ainda a perícia no celular usado por Baleotti.

Polêmica

Pedro cursa Direito na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo (SP), onde foi suspenso temporariamente. O escritório de advocacia DDSA demitiu o suspeito no dia seguinte que o vídeo viralizou nas redes sociais. O aluno já foi indiciado pela Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) da capital paulista.

Em nota oficial postada no Facebook, o Coletivo Negro Afromack, do Mackenzie, considerou "o ato de grande relevância, dado o momento em que vivemos, onde os discursos de ódio, sobretudo os racistas, têm ganhado força. Não podemos perder de vista que este é apenas um pequeno passo para mudanças importantes que devem ocorrer, para o bem-estar e viver da população negra".

O rapaz se desculpou em um áudio do WhatsApp. Ouça na íntegra:

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