São Paulo - A Polícia Civil do Pará informou ontem que foi decretado segredo de Justiça no inquérito que investiga o assassinato da missionária americana Dorothy Stang, 73 anos, no último dia 12, em Anapu (PA). As informações são da Agência Brasil.
O delegado Waldir Freire apresentou à imprensa o decreto expedido pelo juiz Lauro Alexandrino, da comarca de Pacajá (PA). O decreto foi feito a pedido do promotor de Justiça Fábio Brabo de Araújo, do Ministério Público Estadual, que disse ter agido em nome da força-tarefa formada para investigar o caso.
Segundo o delegado, em seu depoimento ontem, o acusado de ser o executor do crime, o pistoleiro Rayfran das Neves Sales, conhecido por Fogoió, preso domingo, confessou ter assassinado a missionária. Sales teria afirmado ainda que o mandante do crime seria um candidato a vice-prefeito derrotado nas últimas eleições municipais, segundo a assessoria do governo do Estado.
Waldir Freire disse que não poderá informar mais nada sobre o depoimento. ''A Polícia Civil foi determinada pela Justiça a não mais se manifestar sobre o assunto.'' Questionado pela imprensa sobre sua avaliação a respeito do decreto, Freire afirmou que ''decisão judicial, a gente não tem como avaliar''. ''O que a polícia esperava era a prisão'', completou.
Ainda segundo o delegado, nenhum defensor acompanhou Fogoió no depoimento, apenas representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Fogoió foi o segundo acusado pelo assassinato preso neste fim de semana. Um segundo pistoleiro, Uilquelano de Souza Pinto, conhecido como Eduardo, e o fazendeiro Vitalmiro Gonçalves de Moura, conhecido como Bida, suposto mandante do assassinato da missionária, estão foragidos. A rendição do fazendeiro está sendo negociada pelo advogado do acusado desde sábado.
A prisão de Fogoió foi feita no início da noite de domingo em uma ação das polícias Civil e Militar com o apoio de soldados do Exército. Ele foi encontrado numa floresta, nas proximidades de Anapu. Rayfran das Neves Sales foi identificado por uma das testemunhas do caso, que o reconheceu por meio de fotos mostradas pela polícia.
O agricultor Amair Feijoli da Cunha, outro dos quatro acusados pelo assassinato da freira Dorothy Stang, já foi formalmente indiciado por homicídio qualificado em processos conduzidos pelas polícias Civil e Federal.
Cunha, conhecido como Tato, prestou depoimento à Polícia Civil de Altamira (PA). Ele é suspeito de ter contratado, a mando do fazendeiro Vitalmiro de Moura Bastos, os supostos pistoleiros Rayfran das Neves Sales e Uilquelano de Souza Pinto para matarem a irmã Dorothy Stang.
Tato se apresentou no sábado, por volta das 13h, à Polícia Civil do Pará em Altamira. Cunha, que negou as acusações e estava com prisão preventiva decretada, foi o primeiro dos quatro suspeitos de participação no crime a ser preso.

mockup