Justiça decreta prisão preventiva de suspeito pela morte de Rachel Genofre
Homem já cumpre pena por outros crimes; corpo da vítima foi encontrado em mala em 2008
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quinta-feira, 02 de janeiro de 2020
Homem já cumpre pena por outros crimes; corpo da vítima foi encontrado em mala em 2008
Vitor Struck e Viviani Costa - Reportagem Local 
O suspeito de ter assassinado a menina Rachel Genofre, 8, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. O pedido foi feito pela Polícia Civil na conclusão do inquérito em novembro do ano passado. A justificativa foi a garantia da ordem pública para assegurar a aplicação da lei ao final do processo. O suspeito, Carlos Eduardo dos Santos, 52, já cumpre pena por outros crimes.

A menina Raquel Genofre foi encontrada morta em 5 de novembro de 2008. O corpo estava dentro de uma mala que havia sido abandonada na Rodoferroviária de Curitiba. O crime só foi solucionado após 11 anos de investigação com o apoio do governo federal e do governo de São Paulo.
O suspeito está preso desde 2016. Conforme a Polícia Civil, Santos já foi condenado a 22 anos de prisão por estelionato, estupro, roubo e falsificação de documento, crimes praticados anteriormente nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
O delegado titular da Delegacia de Homicídios de Maior Complexidade, que atua na resolução de homicídios sem solução há no mínimo dois anos, Marcos Fernando da Siva Fontes, explicou que o assassinato só pôde ser esclarecido a partir do cruzamento de dados incluídos no Banco Nacional de Perfis Genéticos, que conta com mais de 28 mil perfis de condenados cadastrados.
"Certamente se não fosse a prova científica, através do DNA, nós jamais esclareceríamos este crime porque ocorreu em 2008. Lá a evidência foi coletada. Em 2012 veio a legislação determinando a criação dos bancos de dados nos estados. Em 2014 veio a do Paraná, mas começou a operar em rede somente em 2018. A partir do momento que o ministro Sergio Moro assumiu o Ministério, ele determinou que os bancos operassem de forma integrada e em junho de 2019 a Polícia Civil de São Paulo começou um levantamento do DNA de pessoas condenadas por crimes sexuais justamente pelo Presídio Sorocaba II", disse.
Logo em seguida, em setembro do ano passado, foi constatada a compatibilidade do DNA de Carlos Eduardo dos Santos com o material colhido na cena do crime. "Esta prova é inquestionável. É a ciência que está dizendo, não uma testemunha. Se verificou que há uma correspondência de 99,999%, então é ele", avaliou o delegado.
No entanto, outros dez delegados também atuaram no caso de forma direta. O inquérito possui, aproximadamente, 4 mil páginas divididas em 12 volumes. O pedido de prisão preventiva foi acatado pela Justiça no dia 26 de dezembro em razão de outras fugas e crimes cometidos pelo suspeito.
Pela morte de Rachel Genofre, Santos foi indiciado por tentativa de estupro, atentado violento ao pudor e homicídio triplamente qualificado, "pela impossibilidade de defesa da vítima, motivo torpe e ocultação do cadáver".
Questionado, Fontes destacou que o suspeito poderá continuar detido no Paraná. "O juiz agora deve mandar citar o autor e o processo penal deve ser desenvolver normalmente. Atualmente ele se encontra no Paraná em razão do próprio Depen-PR ter que realizar a gestão para que ele finalize a pena. Ele poderá eventualmente aguardar no Paraná? Sim, mas isso dependerá de haver um entendimento entre os juízes".


