A juíza da 1ª Vara Criminal de Londrina, Elisabeth Kather, converteu a prisão temporária em preventiva do casal acusado de matar um bebê de quase três quilos em Londrina no início de junho. No inquérito entregue nesta semana à Justiça, a Polícia Civil concluiu que a jovem, ao contrário do afirmado em interrogatório, estava grávida.

Segundo as investigações, o recém-nascido nasceu com vida no apartamento dos pais, mas morreu em decorrência de um traumatismo craniano. A lesão fatal, conforme a Polícia Civil, foi provocada por "impacto em superfície sólida'. O caso veio à tona depois que a mãe procurou o Hospital Evangélico com fortes dores abdominais e sangramento. Aos médicos, ela disse ter sofrido um aborto espontâneo em casa.

Os plantonistas identificaram que a gestação já se encontrava em estágio avançado, e questionaram a mãe sobre o paradeiro do bebê. Ela relutou em contar a verdade, mas depois de muita insistência, pediu para que o pai levasse o recém-nascido ao hospital. Segundo a polícia, o corpo da criança foi enrolado em uma toalha e colocado em uma caixa de sapato para ser entregue no Evangélico.

Quando foi interrogada, a jovem disse "não saber que estava grávida". Porém, os investigadores da Delegacia de Homicídios de Londrina (DHL), que cuidaram do caso, acreditam que a acusada sabia da gravidez desde o dia 4 de março. A tese foi reforçada depois que a perícia encontrou registros de pesquisas feitas na internet sobre gravidez, o que, para a polícia, desmontou a versão apresentada pela mãe.

Para a Justiça, "ficou demonstrado que a investigada realizou pesquisas, momentos antes de dar à luz, em seu celular sobre sinais de parto e sobre como suceder com o nascimento da criança".

Na decisão, a juíza Elisabeth Kather observou que o casal "apresenta periculosidade concreta" e que o crime praticado contra o bebê foi "premeditado, tendo em vista a omissão dos pais durante a gestação, no decorrer do parto e até mesmo após seu nascimento".

Em nota, o advogado Douglas Bonaldi Maranhão, que defende o casal, informou que "A interpretação dada até o presente momento pela autoridade policial é equivocada, fundada em ilações e conjecturas e não leva em consideração várias circunstâncias identificadas na investigação. Não há fundamento legal para a prisão preventiva".

(atualizada às 17h30)

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