Justiça decreta intervenção no Cristo Rei
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quarta-feira, 21 de maio de 2014
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Ibiporã A juíza Sônia Leifa Fuzinato acatou o pedido do Ministério Público (MP) de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina) e decretou na segunda-feira a intervenção no Hospital Cristo Rei. A Justiça afastou ainda oito diretores da administração da unidade e cinco funcionários, todos acusados de um desvio de R$ 3 milhões do hospital.
De acordo com a promotora Josilaine Andrade, o Estado do Paraná recorreu da decisão ao Tribunal de Justiça (TJ-PR). A Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) já informou ao Poder Judiciário o nome do interventor escolhido, que assume o hospital nos próximos dias, se a decisão judicial não for reformada.
A ação penal contra a diretora administrativa e os chefes dos setores de recursos humanos, financeiro e de enfermagem do hospital por desvio de dinheiro, formação de quadrilha, supressão de documentos públicos e coerção de testemunha também foi acatada pelo juiz de plantão, Leonardo Delfino César, na segunda-feira. Os quatro diretores chegaram a ficar presos temporariamente por cinco dias na semana passada, mas foram todos liberados.
"Incluímos ainda a chefe de tesouraria do hospital pelos crimes de formação de quadrilha e supressão de documentos. A Justiça deferiu as medidas cautelares solicitadas pelo MP contra os acusados, como a proibição de comparecer ao prédio do hospital, não se aproximar de testemunhas, comparecimento mensal ao juízo e não se ausentar da comarca sem permissão judicial", enumerou a promotora. Os réus já foram intimados da decisão.
Segundo o MP, os desvios apontados são referentes a procedimentos particulares realizados no hospital e essa primeira ação se baseia em cinco casos em que foram comprovadas as irregularidades. "As investigações e a auditoria vão continuar e com isso será possível se aproximar mais do valor desviado. Não descartamos o envolvimento de outras pessoas e certamente outras denúncias serão oferecidas", frisou Josilaine Andrade.
De acordo com a promotora, no dia das prisões, quando os acusados foram ouvidos, todos informaram desconhecer os procedimentos e ninguém admitiu as irregularidades. "Oferecemos, inclusive, a delação premiada", informou. "Havia uma ausência de controle e desorganização nos setores responsáveis, na emissão de recibos, de recibos que sumiam. Esse cenário foi denunciado pelo MP como intencional para facilitar o desvio", ressaltou Josilaine.
Segundo a promotora, o Hospital Cristo Rei tem sido vítima de tentativas de depredação do prédio por parte de moradores. Em algumas ocasiões, a Polícia Militar chegou a ser acionada para evitar um dano maior. "Parte da população interpretou de forma incorreta a atuação do MP e está depredando o hospital, que é vítima neste caso. Solicitamos que essas atitudes não aconteçam mais, até porque a pessoa pode ser responsabilizada por dano ao patrimônio público, que é crime", afirmou.


