São Paulo, 02 (AE) - O empresário Ricardo Mansur sofreu hoje dois reveses na Justiça: o juiz da 36ª Vara Cível da capital decretou o bloqueio de todos os seus bens e de 18 outros ex-administradores do Banco Crefisul S.A., enquanto na 18ª Vara Cível era intimado a se apresentar à Justiça no dia 24, sob pena de prisão, para explicar as causas da falência do Mappin.
Mansur, que está em Londres, era controlador do Mappin e do Crefisul, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central no ano passado, quando sua contabilidade já acusava um rombo de R$ 407,653 milhões. Quanto ao Mappin, falido desde junho, até hoje seu passivo é desconhecido (fala-se em algo em torno de R$ 6 bilhões) porque a Justiça ainda não conseguiu abrir os computadores da empresa para examinar a contabilidade. Para acabar com o mistério, o juiz da 18.ª Vara Cível Luiz Beethoven Giffoni Ferreira mandou intimar Leonel Tozzi e 13 outros diretores do falido Mappin para que no prazo de 24 horas apresentem à Justiça a contabilidade de todos os livros obrigatórios, que estão desaparecidos, também sob pena de prisão. O bloqueio dos bens de Mansur foi decretado pelo juiz Newton de Oliveira Neves, da 36.ª Vara Cível, por meio de liminar numa ação cautelar proposta em dezembro pelo promotor de justiça Sérgio Seiji Shimura. Pondera o juiz que a concessão da liminar é necessária para "assegurar o resultado prático e útil" da ação de responsabilidade civil a ser proposta em breve contra os seus administradores pelo mesmo promotor. Se a medida for retardada, os bens podem ser desviados e dificilmente seriam localizados. O liquidante do Banco Crefisul foi nomeado depositário dos bens arrestados. Funcionários - Ainda hoje, o juiz Giffoni Ferreira autorizou o síndico da falência do Mappin, Alexandre Carmona, a propor acordo na Justiça do Trabalho para pagamento imediato dos créditos trabalhistas incontroversos dos ex-funcionários do Mappin. Com isso haveria solução para as 3.322 reclamações trabalhistas em andamento na capital e no interior. A massa falida já arrecadou R$ 27 milhões, principalmente com o arrendamento das lojas Mappin ao Pão de Açúcar e à Renner. O valor, no entanto, ainda é desconhecido face ao mistério que ainda envolve a contabilidade do Mappin. O juiz Giffoni Ferreira assinala que nem ao menos se sabe se o Mappin tinha escrituração contábil. A diretoria, ouvida em juízo, "nada sabe, nada conhece e nada viu". Para o juiz trata-se de uma omissão intolerável, que não admite mais contemporização, o que motivou o ultimato para a apresentação dos livros fiscais. Mansur deveria ter-se apresentado ao juiz em dezembro para ser ouvido sobre os motivos da falência. Não compareceu alegando problemas de ordem psiquiátrica.

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