Justiça de Piracicaba também manda despejar sem-terra
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quinta-feira, 05 de agosto de 1999
Por José Maria Tomazela 
Piracicaba, SP, 06 (AE) - O juiz Joel Valente, titular da 6ª Vara Cível de Piracicaba, mandou despejar as 1,2 mil famílias de sem-terra que foram transferidas ontem (5) da área urbana de Anhembi para as margens da Rodovia Samuel de Castro Neves (SP-147), no município de Piracicaba. O juiz acatou pedido de liminar feito pelo fazendeiro Joseph Moutran, que alega que os sem-terra invadiram a Fazenda Maria ¶ngela, de sua propriedade. Oficiais de justiça iriam ao acampamento ainda hoje intimar os líderes para a desocupação. Caso não saiam, o despejo será feito pela polícia.
Segundo o coordenador estadual do Movimento dos Sem-Terra (MST), Gilmar Mauro, as famílias foram enganadas, pois acreditavam que a área pertencesse ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER).
O terreno fora oferecido para acampamento provisório durante as negociações para a desocupação de Anhembi por assessores do prefeito Geraldo Conceição Cunha (PSDB), segundo Mauro. A transferência das famílias só terminou hoje. A assessoria de imprensa do DER informou que os sem-terra ocuparam também a faixa de domínio do órgão, ao lado da rodovia. Os barracos foram erguidos próximo do acostamento. O DER pedirá o despejo das famílias por causa do risco de acidentes.
Representantes do órgão registram um boletim de ocorrência na Delegacia Seccional de Piracicaba. Segundo a assessoria, não houve qualquer autorização para que os sem-terra se instalassem no local. Já a área contígua, segundo o DER, é particular. O filho do fazendeiro, André Moutran, acusou a prefeitura de Anhembi de ter agido de má-fé, mandando os sem-terra para Piracicaba sem ter uma área definida para o acampamento. "Usaram a frota municipal para o transporte."
O prefeito Cunha disse que não indicou a área e apenas cedeu a frota atendendo a requisição da Polícia Militar. A coordenação estadual do MST pediu hoje audiência com o secretário da Justiça
Belizário dos Santos Júnior para resolver o destino do Acampamento "Nova Canudos". Segundo Gilmar Mauro, um novo despejo criará uma situação insustentável, propensa para o confronto. "Estão brincando com o destino de mais de mil famílias", afirmou.


