Justiça de Foz ouve acusados de corrupção
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terça-feira, 20 de janeiro de 2004
Adriana Savicki<br>Reportagem Local 
A Justiça Federal de Foz do Iguaçu começou a ouvir ontem os envolvidos no esquema de corrupção na fronteira desmantelado em outubro pela Polícia Federal (PF) com a prisão de 52 pessoas. A maioria dos detidos, 40, são policiais rodoviários federais suspeitos de receber propinas para liberar da fiscalização ônibus de sacoleiros.
Ontem, o juiz Gueverson Rogério Farias ouviu dois batedores, cujos nomes estão sob segredo de Justiça, que faziam a ponte entre a polícia e os sacoleiros. Os policiais receberiam entre R$ 200 e R$ 500 por cada ônibus que passava irregularmente pelos postos de fiscalização de Santa Terezinha de Itaipu e Céu Azul. Além de fazer vista grossa, os policiais teriam adulterado documentos para encobrir a ação.
Segundo o delegado da PF, Paulo Renato de Souza Herrero, a Justiça ouvirá inicialmente os intermediadores para, em seguida, confrontar os depoimentos com os policiais envolvidos. O esquema começou a ser investigado em 1999. Durante o período, a PF juntou horas de filmagens e gravações telefônicas que detalham as ações. Cerca de R$ 11 mil em dinheiro vivo foram apreendidos nos postos durante as prisões. A investigação da PF, segundo Herrero, ainda não está encerrada. ''Pode haver novas prisões e outros envolvidos podem aparecer'', afirma.
Os policiais rodoviários estão detidos desde outubro no Corpo de Bombeiros de Foz do Iguaçu. Os policiais presos correspondiam a quase 60% do efetivo da corporação na região.


