A Vasp foi prejudicada ontem com mais uma das medidas judiciais que têm sofrido visando o arresto de suas aeronaves. Agora, três Boeing 737-300, dois dos quais atendiam a rota São Paulo (Congonhas)-Rio (Santos Dumont), a mais importante da aviação civil, foram confiscados por decisão judicial.
O arresto das aeronaves foi obtida pela empresa de leasing Victoria Regia, sediada nas Ilhas Cayman. Desde abril a companhia trava uma batalha judicial pela posse dos três aviões. Ela conseguiu autorização para reaver os aviões e colocou em prática a decisão ontem, o que cancelou os vôos da Vasp de São Paulo para o Rio e Brasília durante duas horas.
Os passageiros da Vasp dessas rotas ficaram sem aviões a partir das 14h30 e tiveram de ser transferidos para vôos de outras companhias, conforme portaria 957 do Departamento de Aviação Civil. A Vasp tentou então utilizar 3 dos seus 22 Boeing 737-200 para suprir a falta de aeronaves nessas rotas, mas a legislação proíbe vôos dessas aeronaves em Santos Dumont, devido à falta de potência das turbinas e à poluição sonora.
A empresa foi obrigada então a transferir três Boeing 737-300 do aeroporto de Cumbica para Congonhas, o que deve afetar o atendimento das rotas para outras regiões do país.
Desde março, a Vasp viu sua frota despencar de 48 aeronaves para as atuais 29, devido ao atraso no pagamento dos aluguéis e consequente arresto de aviões.
A disputa entre a Victoria Regia e a Vasp se deve ao atraso de 20 dias no pagamento dos aluguéis das aeronaves em março. No dia 10 daquele mês a empresa de leasing conseguiu decisão judicial determinando a devolução dos aviões.
No dia 17, o 2º Tribunal de Alçada Civil de São Paulo concedeu liminar para que as aeronaves voltassem à Vasp. A decisão, porém, foi invertida, e a partir de agora os Boeing passam a estar nas mãos da Victoria Regia. A Vasp garante que voltou a pagar regularmente a empresa de leasing e que entrou hoje mesmo com recurso para reaver as aeronaves.

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