Justiça condena um dos chefes do PCC em Londrina a mais de 30 anos de prisão


Rafael Machado - Grupo Folha
Rafael Machado - Grupo Folha

Em uma sentença robusta - são 140 páginas no total -, o juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio, aplicou nesta segunda-feira (29) a primeira condenação dos nove processos provenientes da Operação Sicário, que investiga a atuação de organizações criminosas no Norte do Paraná, mas principalmente em Londrina e região. As investigações são coordenadas em conjunto entre o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), Polícia Militar, 16ª e 19º Promotorias de Justiça de Londrina. 



Justiça condena um dos chefes do PCC em Londrina a mais de 30 anos de prisão
Arquivo FOLHA
 



Neste despacho inicial, o magistrado condenou três pessoas por diversos crimes. Quem recebeu a maior pena foi um jovem de 24 anos, preso atualmente na unidade dois da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2). Ele foi sentenciado a 30 anos, 10 meses e 21 dias em regime fechado por tráfico de drogas, associação para o tráfico e organização criminosa majorada, entre outros delitos. No Fórum, o rapaz preferiu ficar em silêncio. 




De acordo com a promotora Márcia Regina Rodrigues de Menezes, atuante na 16ª Promotoria e que participa das apurações, o réu tinha um papel importante para cuidar, na região de Londrina, dos negócios do PCC (Primeiro Comando da Capital), fundado em 1993 em São Paulo. "Ele era um dos cabeças da chamada Disciplinar da Regional 43, um dos braços da estrutura da organização no Paraná e que corresponde especificamente ao Norte do Estado. Tinha um papel importantíssimo, mas uma das principais funções era verificar se os demais integrantes estavam obedecendo as regras da facção", explicou.  


Ao longo das audiências, testemunhas ouvidas asseguraram que o condenado era o "alicerce da facção na rua, reunindo as funções de “polícia”, “promotoria”, “justiça” e “administrativa”, além de tratar do remanejamento de faccionados, cadastrando-os e alocando-os em alguma função quando saíam da prisão", como argumentou o juiz na decisão. Apesar de ainda não ter sido intimado da sentença, o advogado do rapaz, José Henrique de Souza Zagato, disse à FOLHA que vai recorrer da condenação.  


"Essa primeira sentença mostra os frutos proveitosos que estão sendo colhidos da Sicário, que demandou muito trabalho do Ministério Público durante todo o processo. As outras ações que tramitam são extremamente complexos e apuram outros crimes, como sequestros e torturas. Também verificamos que os denunciados, mesmo integrando o PCC, continuam com seus núcleos criminosos próprios", pontuou a promotora. 


Os três condenados por Nanuncio foram presos na primeira fase da operação, em julho de 2019. Em outubro do mesmo ano, 133 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público. A terceira etapa da Sicário foi deflagrada na semana passada, quando três investigados foram detidos e nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos em seis cidades paranaenses. 




"Nessa fase recém-deflagrada, o objetivo foi coibir o lado financeiro dessa organização criminosa. Apreendemos mais de 14 mil, mas o projeto segue com investigações em outras frentes. Pelo o que já foi apurado, concluímos que o grupo é bem distribuído e funciona como uma empresa comum, com seus diferentes setores. Londrina e o Paraná têm papéis essenciais na proliferação dessa atuação ilícita", esclareceu o promotor do Gaeco, Leandro Antunes. 


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