Justiça condena hospital a pagar R$ 136 mil em indenização
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quinta-feira, 09 de setembro de 1999
Por Sônia Apolinário 
Rio, 10 (AE) - O município do Rio de Janeiro foi condenado a pagar uma indenização de mil salários mínimos (R$ 136 mil) a Cléber Mendes Barros por conta de mau atendimento do hospital Salgado Filho, o mesmo onde ocorreram várias mortes atribuídas ao auxiliar de enfermagem Edson Izidoro, acusado de injetar cloreto de potácio nos pacientes. A sentença foi dada ontem (9) pelo juiz da 1ª Vara de Fazenda Pública do Rio, Carlos Eduardo da Rosa da Fonseca Passos.
Morador do subúrbio de Tomás Coelho, onde tem uma oficina de conserto de bicicletas, Barros entrou com a ação contra o município depois da morte de sua mãe, Maria dos Prazeres Mendes, ocorrida no ano passado, no hospital. No dia 30 de julho, ela procurou o Salgado Filho por estar com problemas de pressão arterial. Foi medicada e colocada em uma maca, de onde caiu e fraturou o crânio. Com 73 anos, ela não resistiu à cirurgia na cabeça.
Na sentença, o juiz considerou que ocorreu uma "negligência absurda" no atendimento dado a Maria dos Prazeres. "De um modo geral, é sofrível e insuficiente o tratamento dado ao cidadão humilde em hospitais públicos", afirmou o juiz em sua sentença.
"Para o Brasil, a sentença é boa", comemorou o advogado Wainer Borgomoni. "Mas se isso fosse nos Estados Unidos, o mínimo que custaria para o município seria US$ 10 milhões."
Borgomoni informou que está para entrar na Justiça com outras quatro ações contra o município também por conta de atendimento negligente do hospital Salgado Filho. Nemhuma delas, porém, acarrotou a morte do paciente.
O diretor do hospital, Flávio Silveira, disse que seria "pretensioso" de sua parte comentar a decisão de um juiz. "Cumpriremos a decisão da Justiça", disse ele que já era diretor do hospital na época em que morreu Maria dos Prazeres.
A Procuradoria de Justiça do Município vai recorrer da sentença, segundo informou o procurador Joaquim do Amaral Filho, assessor jurídico da secretaria de saúde. "Existe uma superlotação dos hospitais, isso é uma realidade", afirmou. "Mas é preciso analisar os aspectos do caso para saber se houve exagero na sentença".


