Justiça condena bicheiros no Rio
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de outubro de 1998
Agência Folha 
O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio condenou na madrugada de ontem 17 dos 54 acusados de envolvimento com o jogo do bicho cujos nomes constavam de livros de contabilidade encontrados na fortaleza do bicheiro Castor de Andrade, em Bangu (zona oeste do Rio).
O julgamento, que começou no dia 21 de setembro e terminou a 1h30 da madrugada de ontem, durou 11 dias e foi o mais longo da história do Rio. Dos 17 condenados, 12 são policiais - 11 delegados e um detetive. Eles foram condenados por corrupção passiva com penas variando entre dois anos e oito meses e cinco anos e quatro meses, todos em regime aberto ou semi-aberto. Os 12 policiais foram liberados após o pagamento de fiança de 20 salários mínimos, o equivalente a R$ 2.600.
Os outros cinco condenados são bicheiros. Emil Pinheiro, por ter mais de 70 anos, foi condenado a três anos e nove meses, mais 225 dias/multa, no valor de um salário mínimo por dia. Ele cumprirá a pena em regime aberto. Carlos Teixeira Martins, o Carlinhos Maracanã, recebeu pena de sete anos e seis meses, mais 450 dias/multa.
Fernando de Miranda Inácio (genro de Castor de Andrade, morto em 97), José Escafura, o Piruinha, e Luiz Pacheco Drummond, o Luizinho, foram condenados a nove anos em regime fechado, mais uma multa de 540 dias/multa. Eles tiveram a pena agravada por não serem réus primários. Os advogados dos bicheiros informaram que vão recorrer da sentença.


