Curitiba, 12 (AE) - O juiz Rui Portugal Bacellar Filho, da 4ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, concedeu hoje liminar de reintegração da Praça Nossa Senhora de Salete, em frente ao Palácio Iguaçu, ocupada por sem-terra. A solicitação foi feita pelo governo do Paraná e a prefeitura de Curitiba. O governador interino, deputado estadual Aníbal Khury (PFL), em reunião com líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), disse que o cumprimento da liminar ficará suspenso até o dia 22, quando o ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann, estará em Curitiba para uma reunião.
Ao anunciar o pedido de reintegração, hoje pela manhã, num dos primeiros atos de sua interinidade - o governador Jaime Lerner (PFL) viajou para a Argentina, mas volta hoje à noite, e a vice-governadora Emília Belinati (PTB) está nos Estados Unidos -, Khury afirmou que a construção de barracos de madeira significava a intenção de permanência."Temos de impedir que continuem a construir favelas", afirmou. O prefeito de Curitiba disse que o movimento já havia sido notificado pela prefeitura, por ocupar e danificar bem público. "Não é possível que sejam tão intransigentes", afirmou.
De acordo com Khury, Lerner está sendo "muito tolerante" com o MST. "Cabe a nós, democratas, defender a democracia, e temos de ser tão ousados e impulsivos quanto os que vão contra a democracia", disse. Ele afirmou que a polícia seria convocada para cumprir a reintegração de posse, com a ordem de não utilizar armas. Antes da reunião com os sem-terra, alguns policiais estiveram nas proximidades do acampamento.
Ao tomarem conhecimento do pedido de reintegração, os cerca de mil sem-terra fizeram um cerco no acampamento, munidos de facões, foices, enxadas, pás, martelos e pedaços de pau. Os deputados estaduais ¶ngelo Vanhoni (PT) e Caito Quintana (PMDB) marcaram uma audiência com Khury, que recebeu cinco líderes no fim da tarde. "Sei que o movimento vai sair em alguns dias, após a conversa com o ministro", disse o governador em exercício, após a reunião
Khury disse confiar nas palavras do coordenador do MST Roberto Baggio de que o acampamento é provisório e que os sem-terra não irão construir novos barracos na praça. Os sem-terra comprometeram-se a iniciar na quarta-feira a recomposição de parte da praça. A prefeitura dará grama e flores e os sem-terra vão plantá-las. Eles também disseram que vão recuperar a outra parte da praça, assim que desmontarem o acampamento. .
Na reunião com o ministro os sem-terra vão repetir a pauta de reivindicação já entregue ao governo estadual. De acordo com Baggio, os pedidos podem ser resumidos a três pontos: terra para 9 mil famílias, R$ 150 milhões para 20 mil famílias de assentados e acampados, e a libertação de seis presos. "O eixo central da permanência em Curitiba é o atendimento da pauta", disse.

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