Rodrigo Hinrichsen
Agência Folha

Raimundo Valentim/Agência Estado

EscoltadaAo lado de uma promotora (além de um médico e dois agentes da PF), a advogada fraudadora chega no Galeão na madrugadaUma decisão de última hora do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Thiago Ribas Filho, garantiu ontem a Jorgina Maria de Freitas Fernandes, condenada a 25 anos de prisão por fraude contra a Previdência e repatriada ontem de madrugada, o direito a ficar em prisão especial. Ribas Filho atendeu na sexta-feira a pedido do advogado da fraudadora, Felipe Amodeo. A Polícia Federal, responsável pela escolta da condenada, já se preparava para levá-la para o presídio feminino Talavera Bruce, em Bangu (zona oeste), onde ela ficaria em cela comum com outras presas.
A decisão judicial foi recebida com surpresa. As informações disponíveis eram de que a condenação de Jorgina já havia transitado por todas as instâncias judiciais, fazendo com que ela perdesse o direito à prisão especial, apesar de ter curso superior (ela é advogada). Mas Amodeo conseguiu mostrar ao desembargador que um recurso contra a condenação da sua cliente ainda está para ser julgado no STJ (Superior Tribunal de Justiça), justificando sua permanência em prisão especial.
Jorgina chegou às 2h50 à Base Aérea do Galeão, no Rio, a bordo de um Lear Jet da Força Aérea Brasileira que decolou anteontem de San José da Costa Rica, escoltada por dois agentes da PF e acompanhada de uma promotora e de um médico. Foi levada para a sede da Superintendência da Polícia Federal e de lá transferida para a CepTran (Companhia Especial de Polícia de Trânsito), no centro da cidade.
AmeaçaSegundo os agentes Wilson Pina e Ricardo Napoleão, que escoltaram Jorgina, ela disse ter sido ameaçada de morte - certamente pelos seus comparsas de golpe - antes mesmo de sua primeira condenação, em 1992. A advogada continua jurando que é inocente das acusações de fraude de mais de R$ 100 milhões contra o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). ‘‘Os meus cálculos são corretos’’, disse ela, durante a viagem. Jorgina foi oficialmente extraditada da Costa Rica às 16 horas de sexta-feira (horário de Brasília). O juiz Gerardo Rojas assinou no Aeroporto de San José a extradição.
Rojas solicitou ao capitão-médico Marques, da FAB, que fizesse um exame em Jorgina, para saber se ela tinha condições de viajar. Com pressão acima do normal, ela tomou, por recomendação do médico, um calmante. Nas escalas nas bases aéreas de Boa Vista (RR), às 20h05, e Anápolis (GO), à meia-noite, a fraudadora foi algemada para descer e usar os banheiros. No Rio, pediu para visitar o irmão, Francisco de Freitas Neto, também preso por fraudes contra o INSS.
Jorgina estava foragida desde 1992 no exterior, para onde mandou boa parte do dinheiro que desviou. Ela foi presa na Costa Rica em 3 de novembro do ano passado. A advogada golpista foi condenada por peculato e formação de quadrilha.

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