Justiça concede liberdade a PMs
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quinta-feira, 04 de agosto de 2016
Auber Silva<br>Grupo Folha 
A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) decidiu, por unanimidade, conceder habeas corpus aos quatro policiais militares que permaneciam detidos por suposto envolvimento na chacina ocorrida em Londrina entre os dias 29 e 30 de janeiro. Na ocasião, dez pessoas foram assassinadas após o homicídio do soldado Cristiano Luiz Bottino, de 33 anos, no Conjunto Milton Gavetti, na zona norte da cidade. A 11ª vítima da chacina morreu no início de fevereiro, no Hospital Universitário (HU).
Com a sentença do TJ-PR, João Paulo Roesner, Jefferson José de Oliveira, Julio Cesar da Silva e Thiago Morales foram liberados do 5º Batalhão da Polícia Militar, onde estavam detidos. Outros dois PMs suspeitos de envolvimento na chacina, Danilo Alexandre Mori Azolini e Wilson Alex Bianchi, já estavam em liberdade.
A prisão preventiva dos policiais havia sido decretada em julho pela juíza da 1ª Vara Criminal de Londrina, Elisabeth Kather, por outro caso: a morte do carroceiro Pedro Melo Domingos, de 28 anos. Segundo a PM, ele morreu em 12 de março deste ano durante confronto com os policiais em uma estrada rural na zona norte de Londrina. Já o Ministério Público entende que o rapaz foi executado.
Ao pedir a prisão dos policiais, a promotoria alegou que eles também são suspeitos de envolvimento na chacina de janeiro, representando, assim, um perigo à sociedade. O argumento foi aceito pela juíza de Londrina, mas rechaçado pelo TJ-PR na decisão desta quinta (4), que concedeu habeas corpus ao grupo.
Segundo o advogado Cláudio Dalledone Júnior, a 1ª Câmara Criminal do TJ-PR foi "sensível" à sustentação oral em defesa do grupo. Dalledone reafirmou que os policiais são inocentes. "Eles foram vítimas de uma ação midiática que surgiu após o envolvimento em um caso de reação legítima durante uma ação policial", argumentou.
Pela morte do carroceiro, os policiais responderão criminalmente por homicídio qualificado, fraude processual e porte ilegal de arma de fogo. Já a investigação sobre a chacina ocorrida em janeiro é conduzida sob sigilo por uma força-tarefa da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná (SESP). Apenas um publicitário suspeito de envolvimento nas mortes ocorridas em janeiro segue detido.


