O promotor José Carlos Blat pediu, em seu relatório final sobre o caso da favela Naval, em Diadema (Grande São Paulo), que os dez policiais militares acusados de agressões e morte sejam julgados pela Justiça comum. No documento, Blat listou quatro modalidades de crimes que teriam sido cometidos pelos PMs: homicídio doloso, tentativa de homicídio, abuso de autoridade e formação de quadrilha.
Os crimes, registrados por um cinegrafista, teriam sido praticados no início de março durante blitz dos policiais. Em uma das operações, o conferente Mário José Josino foi morto por um tiro disparado pelo soldado Otávio Lourenço Gambra, o ‘‘Rambo’’. ‘‘A denúncia contra os policiais foi confirmada completamente durante a fase de depoimentos das testemunhas’’, afirmou Blat. Nos depoimentos, encerrados há 20 dias, cerca de 80 testemunhas de defesa e acusação foram ouvidas.
Blat afirmou que está esperando resposta do Instituto de Criminalística sobre alguns detalhes da perícia realizada no local para entregar o relatório. ‘‘São detalhes menores, que não devem modificar minha posição sobre o caso.’’ Após a entrega do relatório, a juíza Maria da Conceição Vendeiro dará cinco dias para a promotoria se manifestar, mas Blat disse que vai abrir mão desse prazo.
‘‘Após a entrega das respostas pelo instituto, apresento meu relatório imediatamente. Isso deve ocorrer até quarta-feira (amanhã)’’ A defesa, então, terá cinco dias para apresentar o seu relatório. Se não houver recurso da defesa sobre a decisão, os julgamentos podem ocorrer até o final do ano. O advogado de ‘‘Rambo’’, Gamalher Corrêa, disse não pretende recorrer.
‘‘Mesmo os PMs que não aparecem matando ou agredindo no vídeo serão responsabilizados por formação de quadrilha’’, disse Blat. A defesa, em seu relatório, deverá pedir a absolvição dos acusados, alegando que o ponto era de tráfico de drogas e que as atitudes dos policiais ocorreram sob forte pressão e devido ao estresse da profissão.

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