Justiça começa a retirar intrusos de reserva no MT
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sexta-feira, 10 de janeiro de 1997
Joanice Pierini Loureiro Especial para a Folha 
CUIABÁ - O Ministério da Justiça começa hoje a operação de desintrusão - retirada de intrusos - de cerca de 8 mil garimpeiros e madeireiros da Reserva Sararé, dos índios nhambiquara, em Pontes e Lacerda, a 540 km de Cuiabá (MT). Chamada de Sararé 2, a operação vai reunir 200 policiais (90 federais, 90 militares e 20 florestais), além de técnicos e fiscais da Funai e do Ibama, e deve durar pelo menos 20 dias.
Desde a última terça-feira, fiscais do Ibama e parte do efetivo da Polícia Federal já estão na área, tentando negociar pacificamente a retirada dos garimpeiros, que estão concentrados principalmente ao sul da reserva. Com a chegada do restante dos policiais, o objetivo da PF é dar início à retirada dos garimpeiros, bem como de suas dragas e outros equipamentos, já neste final de semana. No ano passado, foi formada dentro da reserva uma cidade - chamada de Ferrugem 4 - com cerca de 500 barracos e 100 pontos comerciais, de mercearias a salões de beleza a bordéis, a 63 km de Pontes e Lacerda.
Na operação que começa hoje, a PM deve ficar em Pontes e Lacerda para evitar saques ou conflitos na zona urbana, para onde devem convergir os garimpeiros retirados.
A Reserva Indígena de Sararé possui 67 mil hectares e foi demarcada como território nhambiquara em 1985. Na única aldeia da reserva, distante cerca de 15 km dos principais pontos de garimpo, moram hoje somente 79 índios, encurralados ao sul pelos garimpeiros, e ao norte por cerca de 150 madeireiros. As cerca de mil dragas em operação já formaram crateras de até 20 metros de profundidade por 100 de extensão.
A Operação Sararé 2 foi motivada principalmente por um conflito entre madeireiros e índios, em novembro do ano passsado, quando 12 nhambiquara foram espancados. No mês anterior os índios haviam amarrado dez invasores e despejado gasolina neles, ameaçando queimá-los vivos.
Os conflitos vieram à tona e foram divulgados em Cuiabá. Em dezembro de 1992, quando havia no local cerca de 5 mil garimpeiros, aconteceu a primeira desintrusão, com ajuda da PM. Como nenhuma alternativa econômica foi viabilizada para o grupo, aos poucos os garimpeiros retornaram.


