Justiça começa a ouvir testemunhas do caso Daniel
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019
Rafael Costa <br> Reportagem Local 
Curitiba - A Justiça do Paraná começou a ouvir nesta segunda-feira (18) as testemunhas do processo que apura o assassinato do jogador Daniel Freitas, morto em outubro de 2018 em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A primeira audiência de instrução, como é chamada esta etapa que deve decidir se os réus vão ou não a júri popular, começou com os depoimentos de testemunhas sigilosas da acusação.
Sete pessoas são acusadas de envolvimento no homicídio - cinco por homicídio, incluindo o empresário Edison Brittes Júnior, que confessou o assassinato, e a esposa dele, Cristiana Brittes, considerada determinante para o crime pela promotoria. Três jovens que estavam na festa promovida na casa da família no dia do homicídio também são acusados pela morte do jogador.
A audiência desta segunda começou por volta das 15h e foi interrompida pouco depois das 20 horas. Apenas três das 14 testemunhas da acusação foram ouvidas. As pessoas ouvidas em segredo pediram sigilo por medo de retaliação dos acusados.
"Tudo o que esperávamos foi dito", disse Nilton Ribeiro, que representa a família do jogador. "A defesa está tentando jogar fumaça para desviar o foco, mas a situação é uma só. Foi um crime bárbaro, hediondo. As testemunhas ouvidas agora disseram que Freitas pediu realmente socorro, e falou: 'Por favor, não me matem'", contou o advogado, ao final do segundo depoimento.
Os depoimentos devem ser retomados a partir das 9 horas desta terça-feira (19). A previsão inicial era que esta fase do processo durasse até a quarta-feira (20), mas a extensão dos depoimentos desta segunda-feira indicam que o prazo poderá ser ultrapassado. Entre os depoimentos adiados está o do delegado Amadeu Trevisan, responsável pelo inquérito do assassinato do jogador, e da mãe e da tia de Freitas. Todos estiveram no Fórum de São José dos Pinhais, onde são realizadas as audiências.
"Estou preparada", disse a mãe do jogador, que decidiu falar na presença dos réus - que têm direito a ouvir os depoimentos. "Sempre acompanhei meu filho em tudo, em todas as horas felizes da vida dele. E agora que fizeram isso com ele, não vou abandoná-lo."
A mãe de Freitas chorou ao ser abordada pelos jornalistas que passaram a tarde no Fórum. Ela disse que se preparou para ficar frente a frente com Edison Brittes por meio de terapia e remédios. "Tenho pena dele. Ele é um infeliz", disse.
O crime ocorreu em 27 de outubro. O jogador Daniel Corrêa Freitas, 24, foi ao aniversário de 18 anos de Allana Brittes em uma casa noturna de Curitiba na noite anterior. As comemorações continuaram na manhã seguinte, na casa da família. Depois de enviar a amigos, pelo celular, fotos suas deitado ao lado da mãe da aniversariante, Cristiana, na cama do casal, Freitas foi morto. O corpo foi encontrado em um matagal. Os laudos periciais concluíram que o jogador foi morto por degola parcial causada por instrumento altamente afiado.
A promotoria sustenta que Edison Brittes Junior e os supostos coautores do homicídio decidiram fazer um "justiçamento" ao encontrar Freitas deitado com Cristiana. A esposa do empresário não teria tentado evitar o crime e teria "aderido" ao assassinato, daí ter sido acusada também por homicídio.
Para o advogado que defende a família Brittes, Claudio Dalledone Júnior, os depoimentos das testemunhas de acusação na audiência desmentem essa versão. "Exclui-se absolutamente por completo que as duas [Cristiana e Allana] tenham prestado algum auxílio, quer seja uma coadjuvação paralela ou qualquer apoio material", disse.
"Está muito claro, das pessoas que lá estiveram e são ouvidas como testemunhas de acusação, que elas de nada participaram. Ao contrário disso: buscaram, de todas as maneiras, que aquilo cessasse", sustentou. O advogado avaliou, ainda, que as testemunhas revelaram informações "relevantíssimas", que modificam "certezas que estavam cravadas" e que "mudam toda a dinâmica do crime".


