Justiça autoriza transferência de empresário acusado de fraudes no DPVAT
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sábado, 04 de janeiro de 2020
Vitor Struck - Grupo Folha 
O empresário londrinense Márcio Rodrigo Cantoni, 40, preso no final de dezembro do ano passado no interior de Minas Gerais após se hospedar em um resort de luxo e postar a localização em uma rede social, teve a transferência para Londrina autorizada pela Justiça. Cantoni estava foragido desde 2016, quando uma operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) cumpriu mandados de busca em apreensão em uma de suas empresas, a Cantoni Revisões, em uma operação para apurar fraudes no pagamento do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículo Automotor, o seguro DPVAT.

O Ministério Público do Paraná já havia sido informado da prisão de Cantoni pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais e solicitou a remoção da custódia para a Londrina. Já na noite desta terça-feira (3), a transferência foi acatada pelo juiz Marcos Caires Luz, que estava no plantão judiciário. No entanto a FOLHA não conseguiu apurar quando o empresário deve chegar na cidade.
Após ter sido abordado no distrito de Monte Verde, em Camanducaia, Cantoni apresentou documentos de outra pessoa e ainda tentou subornar os agentes de segurança com R$ 5 mil. Por conta disso, foi preso em flagrante por corrupção ativa, uso de documentos falsos e ainda porte de drogas. Ele foi levado para o presídio de Extrema, no sul de Minas Gerais.
De acordo com o MP (Ministério Público), empresado seria o líder de um grupo que agia no sentido de identificar vítimas de acidentes de trânsito e ingressar com ações judiciais em nome delas com procurações e documentos falsos sem nunca conceder o benefício a quem teria o direito. Diversas vítimas foram ouvidas e relataram ter recebido propostas que envolviam a cobrança de 10% sobre o valor do benefício, que pode chegar a R$ 13,5 mil em casos de morte em acidentes de trânsito. Há também relatos de vítimas de acidentes que nunca foram procuradas pela empresa, mas tiveram o benefício integral sacado pelo escritório.
O Ministério Público denunciou o grupo em maio de 2017 e o empresário passou a responder por crimes como formação de quadrilha, apropriação indébita, estelionato e posse ilegal de munição e arma. No mesmo mês, o juiz Paulo César Roldão, da 5ª Vara Criminal de Londrina, chegou a negar um pedido da defesa de Cantoni para a devolução de 27 veículos, entre carros de luxo e motocicletas, e a restituição de contas bancárias em nome do empresário. Ainda em 2017, Cantoni chegou a ser preso pela Interpol em Miami (Flórida) por residir ilegalmente nos Estados Unidos.
A reportagem não conseguiu conversar com a defesa de Márcio Cantoni na tarde deste sábado (4).


