São Paulo, 14 (AE) - A Justiça autorizou, dia 25 de junho, a quebra do sigilo bancário do vereador Arselino Tatto (PT) e de três pessoas de sua família. A informação estava sendo mantida em sigilo, mas acabou vazando. O vereador é acusado de reter parte do salário de assessores de seu gabinete.
O advogado do vereador, Luiz José Bueno de Aguiar, disse hoje que a divulgação da quebra do sigilo bancário não tem importância para seu cliente. "Não alardeamos na época porque não houve resistência; como não devemos nada, podem vasculhar", disse Aguiar em nome de seu cliente, que está viajando.
Tatto foi indiciado em inquérito policial, instaurado em maio, que apura a apropriação indevida de salários de funcionários de seu gabinete na Câmara Municipal. De acordo com a polícia, dos R$ 74.200 gastos com salários, R$ 31.600 eram devolvidos. Desse total, R$ 11.900 eram destinados ao PT.
A quebra de sigilo foi requerida pelo promotor de Justiça da Cidadania Luis Fernando Rodrigues Pinto Júnior. A reportagem o procurou para esclarecer a medida, mas foi informada de que Pinto Júnior estava ausente e só retornaria segunda-feira.
O defensor de Tatto fez questão de frisar que a arrecadação dos salários fazia parte da contribuição obrigatória ao partido. A bancada petista, em carta de 9 de junho, apóia o parlamentar e afirma que a prática é comum.
Alguns assessores ouvidos pela polícia, porém, afirmaram que eram obrigados a entregar parte do salário para manter o emprego. "Isso foi coisa de um ou dois descontentes que quiseram prejudicar o vereador", disse Aguiar.

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