São Paulo, 11 (AE) - O juiz da 18ª Vara Civil da Capital Luiz Betoween Giffoni Ferreira autorizou hoje o Grupo Pão de Açúcar a reabrir duas lojas do falido Mappin, no Itaim e na Praça Ramos de Azevedo, em São Paulo. O juiz expediu mandado de deslacração dos dois prédios, ante compromisso do presidente do Pão de Açúcar, Abilio Diniz, de reaproveitar 834 ex-empregados do Mappin. Abilio prometeu reaproveitar o maior número possível de ex-empregados.
O acordo celebrado em audiência especial de conciliação autoriza ainda que o Pão de Açúcar utilize provisoriamente o nome Mappin nas lojas arrendadas.
O grupo foi nomeado depositário dos bens dos dois prédios, tendo Abilio Diniz assegurado que está disposto a adquiri-los após avaliação. Ficou acertado ainda que eventuais benfeitorias a serem realizadas não são indenizáveis.
Participaram da audiência, além de Diniz, o síndico da falência, Alexandre Alberto Carmona, representantes do Mappin, do Sindicato dos Comerciários e a promotora Deborah Pierre, a única que se opôs ao acordo.
O Pão de Açúcar arrendou o prédio da Praça Ramos dez dias antes da decretação da falência, dia 29, tendo depositado em juízo R$ 19 milhões. Essa quantia foi considerada pelo sindico e pelos sindicalistas presentes, entre os quais o deputado Luiz Antonio Medeiros, suficiente para a cobertura de boa parte dos débitos trabalhistas.
Quanto ao prédio do Itaim, o Mappin depositará em juízo quantia a ser arbitrada após avaliação, que reverterá em beneficio da massa falida. O juiz considerou que os negócios celebrados entre o Mappin e o Pão de Açúcar as vésperas da falência foi imprudente e precipitado", mas não ocorreu fraude ou enriquecimento sem causa".
Na audiência, o juiz indeferiu pedido do Mappin de dar prosseguimento aos seus negócios, mesmo com a falência decretada. Para Giffoni, a insolvência do Mappin "já era pública e notória". A empresa não tinha estoque e o valor arrecadado nos caixas no dia da decretação da falência foi irrisório. O Mappin estava prestes a ser despejado por falta de pagamento da loja da Praça Ramos de Azevedo, pertencente a Santa Casa de Misericórdia. O Pão de Açúcar pagou os aluguéis.
Renner - Antes da audiência de reconciliação o juiz Betoween realizou reunião preliminar com representantes das Lojas Renner, do Grupo norte-americano J.C. Penney, que revelaram interesse em ampliar seus negócios em São Paulo, com aproveitamento dos pontos do Mappin.
Os representantes da Renner disseram que a empresa, concentrada no Sul, tem interesse em expandir suas atividades em São Paulo, ampliando o mercado de trabalho.
O juiz aconselhou a Renner a entender-se diretamente com os locadores, visando a realização de novos acordos, rescindindo os antigos contratos de locação com o Mappin. Garantiu o juiz que não haverá oposição de sua parte. "Vamos cumprir a lei da forma mais humana possível", garantiu o magistrado.

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