Rio Branco, 06 (AE) - A Justiça autorizou o Ministério Público a tomar o depoimento do ex-governador Orleir Cameli por meio de carta precatória no caso Consilux, em Cruzeiro do Sul, já que ele não compareceu à audiência realizada em Rio Branco na semana passada.
Orleir e dois ex-secretários são suspeitos de superfaturar a construção de 600 casas populares e 20 quilômetros de rede de eletrificação rural. A obra, a cargo da Construtora Consilux, de Curitiba, foi orçada em R$ 22 milhões. O delegado de polícia Ari Régis de Oliveira foi designado "para encontrar Orleir" e ouvi-lo.
Além do Ministério Público, o procurador-geral do Estado do Acre, Edson Machini, entrou com nova ação civil pública contra o ex-governador e seus ex-secretários Luis Carlos Nalin Reis (Planejamento) e Raimundo Nonato de Queiroz (Fazenda) pedindo devolução de "no mínimo" R$ 2 milhões que teriam sido pagos a mais que o valor das casas construídas.
"A Consilux empreitou inicialmente 600 casas no Residencial Parque dos Sabiás mas o contrato foi alterado para 400. Dessas, foram construídas, pela metade, apenas 152", explicou Edson Machini. O projeto de energização rural em Cruzeiro do Sul também não foi concluído.
A investigação do MP partiu de denúncias do empresário Ivandir Alves da Silva, que vendeu R$ 300 mil em material de construção para a Consilux e não recebeu o dinheiro. Segundo Ivandir, o secretário Nalin pessoalmente fazia as compras.
A empresa paralisou as obras, deixando pela metade as casas e uma dívida de que chega a R$ 1 milhão na praça de Rio Branco. Em Curitiba, o serviço telefônico informou que não existe número de telefone em nome da Consilux ou de seu proprietário, Roberto Sassi.

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