Buenos Aires, 10 (AE-AP) - Os ex-comandantes militares Jorge Videla e Emilio Massera serão julgados e poderão ser condenados pela apropriação de crianças nascidas durante a ditadura militar que governou a Argentina entre 1976 e 1983.
A Câmara Federal de Buenos Aires confirmou ontem (09) à noite a abertura dos processos de ambos e determinou que os delitos pelos quais eles foram acusados não prescreveram, como reclamavam seus defensores. Pelo contrário, para a Justiça, o desaparecimento de pessoas e a apropriação de menores nascidos em centros de detenção clandestina são delitos imprescritíveis.
Por este motivo, o tribunal confirmou as prisões preventivas de Videla e Massera, máximas hierarquias do governo de facto. Atualmente, ambos cumprem prisão domiciliar, por serem maiores de 70 anos.
A partir desta resolução, o juiz que investiga a existência de um suposto plano de roubo de 194 bebês deverá iniciar "de imediato" uma nova roda de indagações com Videla e Massera, entre outros ex-opressores.
Videla, que presidiu a junta militar, foi detido por ordem de um juiz em junho de 1998, considerado como autor do sequestro de dez filhos de desaparecidos.
Massera, que liderou a Marinha, cumpre pena de prisão preventiva domiciliar desde 26 de novembro do ano passado. Ele é acusado de apropriação do filho de uma mulher desaparecida que pariu na Escola Mecânica da Marinha (Esma, por sua sigla em espanhol), um dos centros de detenção clandestina mais populosos da época.
Tanto Videla como Massera foram condenados à prisão perpétua em 1985 por crimes cometidos pela ditadura militar. Mas se beneficiaram do indulto concedido pelo presidente Carlos Menem em 1990.

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