Justiça apreende computadores que podem levar ao caixa 2 de Mansur
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2000
Por Thélio de Magalhães 
São Paulo, 11 (AE)- A Justiça pode ter em mãos o caixa 2 do Grupo Ricardo Mansur após a apreensão de computadores num centro de processamento de dados clandestino num prédio da Avenida Faria Lima, em São Paulo.
O juiz da 18.ª Vara Cível Luiz Beethoven Giffone Ferreira, que analisa o processo de falência do Mappin - uma das principais empresas do grupo - pediu hoje ao Departamento de Informática do Tribunal de Justiça que, em colaboração com o Instituto de Criminalística, desbloqueie os computadores.
Documentos apreendidos no local comprovam crimes falimentares, entre eles o pagamento antecipado de credores trabalhistas, em detrimento a outros. Assim, complica-se a situação de Ricardo Mansur, ex-controlador do grupo, que desde dezembro do ano passado é investigado pelo Setor de Crimes pela Internet, da Polícia Civil Estadual, onde corre o inquérito requerido pelo Bradesco.
O inquérito foi instaurado inicialmente para apurar crime contra a honra, pois Mansur divulgava pela Internet mensagens visando abalar o prestígio do Bradesco.
Também foram reunidos indícios de desvio de divisas e outros Crimes do Colarinho Branco. As provas têm base em laudos preliminares em quatro computadores apreendidos anteriormente na sede das empresas United Empreendimentos Imobiliários e Internacional Processamento de Dados, também controlados por Mansur.
Logo de início, na leitura dos arquivos armazenados nos discos rígidos dos computadores, emerge a prática de crime contra o sistema financeiro. Trata-se de um instrumento particular de contrato de mútuo datado de 1º de janeiro de 98. Por meio dele, a United Indústria e Comércio abre um crédito de R$ 4 milhões para United Comercial.
O empréstimo à empresa do mesmo grupo configura crime contra o sistema financeiro. Ato semelhante, mas em proporções menores, motivou recentemente a condenação do empresário Abilio Diniz, do Grupo Pão de Açúcar, na Justiça Federal. Foram levantadas ainda nos computadores instruções de Mansur para o Royal Bank of Canadá autorizando a transferência de vultosas quantias para contas em diversos outros bancos estrangeiros. Num curto período, entre 97 e 98, foram movimentados R$ 8,5 milhões. O síndico da falência do Mappin, Alexandre Carmona, acredita que, pelo confronto das declarações de Imposto de Renda de Mansur, vai ser difícil explicar a origem do dinheiro. Num informe pessoal reservado, de 29 de julho de 98, Mansur informa que movimenta anualmente US$ 4 bilhões, como controlador de cinco empresas: Banco Crefisul, Banco Mappin, Casa Anglo Brasileira, Mappin e Cibramar. O Banco Crefisul foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central no ano passado, quando já acusava um rombo de mais de R$ 4 bilhões.
O desbloqueio dos computadores revela ainda que Mansur gastava muito. Em 16 de setembro de 99, seus administradores acertavam com ele o pagamento de R$ 6,374 milhões para a reforma das cocheiras e outras dependências das propriedades em Avaré e Indaiatuba. O custo da obra é calculado em R$ 8 mil o metro quadrado.
Prisão - Apesar de a falência do Mappin ser a maior atualmente no Fórum Central de São Paulo, o juiz Giffone Ferreira já concluiu metade do processo. Autorizou o pagamento antecipado de todos os desempregados do Mappin; salvou ainda 1.850 empregos, homologando contratos de arrendamento das Lojas Mappin ao Pão de Açúcar e à Renner.
Seu estilo direto e informal desagradou ao Ministério Público, que pediu a suspensão do juiz. O Tribunal de Justiça rejeitou. por unanimidade, o pedido de suspensão. Até que isso ocorresse, o processo ficou parado três meses, com prejuízo para os credores e à administração da Justiça. Ricardo Mansur está intimado a apresentar-se à Justiça dia 24, sob pena de prisão, para explicar os negócios do Mappin. A Justiça até hoje não encontrou os livros fiscais da empresa. Seus 14 ex-diretores também estão sendo intimados. Alguns já apresentaram justificações ao juiz procurando eximir-se de responsabilidades.


