Justiça apreende cadernos do Greenpeace no Atica Shopping
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quinta-feira, 22 de abril de 1999
Por Marcia Furlan 
São Paulo, 23 (AE) - Oficiais de Justiça fizeram hoje uma apreensão no Shopping Cultural ática, em São Paulo, de cadernos com a marca Greenpeace produzidos ilegalmente pela empresa Soft Paper. O material foi confeccionado fora das especificações do contrato de licenciamento que a entidade ambientalista mantinha com a companhia de papel e que determinava o uso de materiais não poluentes na fabricação de artigos licenciados. A apreensão ocorreu depois da denúncia de consumidores, que observaram a utilização de papel clorado. O "papel branco", além de não ser reciclável, passa por um processo de produção altamente poluente.
O contrato de licencimento com a empresa foi cancelado. De acordo com Renato Bastos, advogado do Greenpeace, a imagem da entidade foi atingida. O Shopping Cultural ática, por sua vez, também poderá ser acionado pois já tinha sido avisado sobre a ilegalidade da venda dos produtos com a marca Greenpeace fora dos padrões estabelecidos, mas continuou comercializando-os. O advogado entrará com pedido de indenização contra as duas empresas. Além disso, segundo Samy Menasce, diretor da Todaba Licenciamentos, responsável pela liberação do uso da marca, os cadernos não passaram por aprovação de qualidade.
Ele explicou que o uso do papel clorado foi detectado no final do ano passado nas agendas produzidas pela empresa e a comercialização foi suspensa. Mas há poucos dias os cadernos, feitos com o mesmo material, chegaram a algumas lojas, o que motivou o pedido de apreensão e busca. Segundo a entidade, o mesmo procedimento será adotado em outras regiões onde está sendo feita a distribuição dos produtos.
O Greenpeace mantém um programa de licenciamento de sua marca para produtos ecologicamente corretos e esta é a primeira vez que um licenciado desrespeita as regras. O principal objetivo do programa é promover a produção limpa, sinalizando para os consumidores a existência de produtos e serviços ecologicamente sustentáveis. Atualmente, existem cerca de 500 artigos licenciados com a marca Greenpeace, entre eles café orgânico, cartão de crédito feito em biopol (plástico obtido de vegetais e biodegradável), livros infantis, entre outros.
Segundo Roberto Kishinami, diretor executivo do Greenpeace no Brasil, o programa de licenciamento vai continuar, apesar dos problemas com a Soft Paper. Temos tido uma grande procura de consumidores e de produtores interessados em artigos ecologicamente corretos e acreditamos que é dever do Greenpeace indicar quais produtos efetivamente agridem o ambiente o menos posssível", diz Kishinami.


