Justiça afasta ex-delegado geral da Polícia Civil por envolvimento com o jogo ilegal
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segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Roger Pereira - Redação Bonde 
A 11ª Vara Criminal de Curitiba determinou, na última sexta-feira, a suspensão do exercício das funções públicas de seis policiais civis e de dois policiais militares por envolvimento com a prática de jogo ilegal, entre os policiais afastados, estão dois delegados de polícia, um deles, o ex-delegado geral Marcus Michelotto.
A decisão acolhe requerimento formulado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Curitiba e é decorrente da chamada Operação Abaité, na qual 18 pessoas foram denunciadas pelo Gaeco, no dia 7 de outubro deste ano, acusadas da prática de crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e contravenção do artigo 50, da Lei das Contravenções Penais, relacionadas à exploração ilegal de jogos de azar em Curitiba e região metropolitana.
De acordo com o Gaeco, o esquema criminoso foi montado por exploradores do jogo para oferecimento de propina aos policiais, que se organizaram em quadrilha para receber as vantagens indevidas oferecidas pelo grupo.
O esquema foi descoberto em janeiro de 2012 e o caso ficou conhecido como "mansão-cassino". Em operação coordenada por policiais civis, uma mansão no bairro Parolin, suspeita de servir de cassino clandestino e ponto de prostituição, estourada por investigadores, sem a participação de nenhum delegado e teria ocorrido como forma de protesto dos policiais, que ameaçavam greve na ocasião.
Na decisão, a Justiça ressalta que "conforme se apurou durante a investigação realizada pelo Ministério Público, há indícios da existência de uma rede de corrupção envolvendo policiais civis, militares e até mesmo delegados de polícia, um deles na chefia da Instituição e outro em uma Delegacia de Polícia localizada nesta capital. Pelos elementos apresentados, verifica-se que os agentes públicos supostamente se valeram da condição funcional para a prática delitiva, promovendo uma espécie de escudo de proteção para evitar a repressão que era exigida do Poder Público".
Além da suspensão do exercício de suas funções, a Justiça determinou, também, que todos os agentes públicos denunciados sejam proibidos de ingressar em qualquer repartição policial e de manter contato com as testemunhas arroladas pelo Gaeco até o final do processo (ou ulterior deliberação).
Michelotto comandou a Polícia Civil até julho de 2013, quando deixou o cargo por conta das contradições da investigação do Caso Tayna e das denúncias de tortura aos suspeitos presos no caso. Ele ficou preso preventivamente entre os dias 10 e 15 de dezembro em investigação sobre a exploração de jogos de azar.
Através da assessoria de imprensa, a Polícia Civil informou que a decisão já foi acatada e todos os policiais citados foram afastados.


