Três ações – duas em Curitiba e uma em Paranaguá – ajuizadas segunda-feira e ontem, respectivamente, para suspender a audiência pública sobre a construção da Usina Hidrelétrica São Jerônimo, marcada para hoje, em São Jerônimo da Serra, continuam incógnitas. Até o fechamento desta edição, tanto a Justiça Federal (JF) em Curitiba quanto em Paranaguá ainda analisavam o conteúdo das ações e a decisão de conceder ou não medida liminar para suspender a reunião. Alguma decisão pode ser conhecida hoje.
O advogado que ingressou com as ações, Rafael Filipim, comentou que os juízes pediram tempo maior para avaliar a questão. Em Curitiba, as ações estão sendo apreciadas pelo juiz substituto da 2ª Vara Cível Federal, Guy Vanderlei Marcuso. Em Paranaguá, a ação foi distribuída na 2ª Vara Cível Federal, com a juíza Ana Beatriz Vieira da Luz.
Em Londrina, o advogado da Associação Nacional dos Atingidos por Barragens (Anab), Gerson da Silva, decidiu não ingressar com mais uma ação. A decisão foi tomada depois que o Ministério Público Federal (MPF) manifestou-se favoravelmente a uma outra ação movida pela Anab em novembro de 1999. A ação identificou falhas nos estudos de impacto ambiental e relatório de impacto ambiental (EIA/RIMA) apresentados pela Companhia Paranaense de Energia (Copel) para a Bacia do Rio Tibagi. Segundo o advogado, o juiz também poderá pedir a suspensão da audiência ainda hoje.
Ontem, membros da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento dos Sem Terra (MST), Projeto de Educação do Assalariado Rural Temporário (Peart), entre outras entidades, discutiram estratégias para a audiência pública, marcada para hoje, às 14 horas, em São Jerônimo da Serra. Dentre outros questionamentos, o grupo decidiu que se não houver a audiência eles irão pedir ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que suspenda o processo de concessão.
Já a Copel, que busca a concessão junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), argumentou que a audiência é necessária para que a população demonstre a sua vontade. ‘‘A Copel fez todo o possível para apresentar um estudo o mais correto’’, garantiu o assesor da Diretoria de Participações da companhia, José Marques Filho.

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