Rio Branco, 12 (AE) - A Justiça do Acre acatou denúncia por homicídio qualificado contra o ex-deputado federal Hildebrando Pascoal e determinou a prisão preventiva de mais três integrantes da família do parlamentar: os irmãos Pedro e Sete Pascoal e o primo Amaraldo. Sete, que é dentista e funcionário da rede de saúde do estado, é o único dos quatro que ainda estava em liberdade. A decisão foi tomada no início da tarde pelo juiz da Vara do Júri, Marco Antônio Nunes Barbosa. O delegado da Polícia Civil Félix Alberto saiu em diligência logo depois de a prisão preventiva ser decretada.
Promotores estaduais informaram ontem (11) que os acusados, que ainda estão em liberdade, foram monitorados por policiais nos últimos dias. A intenção era evitar que fugissem.
Além dos quatro integrantes da família Pascoal, a prisão preventiva atingiu o vereador pelo PPB, Alípio Ferreira; o fiscal da prefeitura, Adão Libório e o sargento da Polícia Militar Alex Fernandes Barros. Um outro primo do ex-parlamentar, o deputado estadual Aureliano Pascoal (PL), será processado. Ele é o único de quem o MPE não pediu a prisão preventiva.
O ex-deputado federal e os outros oito denunciados são acusados de participar direta e indiretamente da tortura e do assassinato do mecânico Agilson Santos Firmino, de 25 anos, conhecido como "Baiano". Baiano foi morto em julho de 1996, porque se negou a informar à família Pascoal o esconderijo de seu patrão, José Hugo -que assassinou a tiros o subtenente da Polícia Militar e irmão de Hildebrando, Itamar Pascoal. O mecânico foi torturado, teve os braços e as pernas decepados com uma motoserra, os olhos furados e o pênis cortado antes de ser morto. Os restos foram jogados numa rua próxima a uma emissora de televisão local. O corpo de Baiano teria sido mantido no galpão, de propriedade do vereador do PL.
De acordo com a denúncia do MPE, antes de torturar e assassinar Baiano, o grupo torturou à faca, e depois matou, o adolescente Wilder Firmino de Oliveira, de 13 anos, filho do mecânico. O jovem morreu porque não teria informado onde o seu pai estava escondido. A caçada a Hugo começou logo depois da morte de Itamar Pascoal.
NEGOCIATA- Na petição entregue à Justiça estadual, o MPE relata que Hugo recebera R$ 20 mil para intermediar, com um deputado estadual cujo o nome não foi revelado, a libertação do traficante preso Gerson Turino. Como Hugo não cumpriu o acordo, a mulher de Turino, Ana Claudia Costa dos Santos, recorreu a Itamar por intermédio do presidiário Francisco de Souza farias, conhecido como "Cai-Cai".
Itamar, ainda segundo o relato do MPE, teria se comprometido a ajudar Turino. No encontro com Hugo em um autoposto da cidade, acompanhado pelo traficante, Itamar teria intercedido a favor de Turino, numa discussão com Hugo.
Depois de acertá-lo com um soco, Hugo matou Itamar a tiros. O ex-deputado federal Hildebrando Pascoal iniciou uma caçada na cidade, espalhou cartazes oferecendo recompensa de R$ 50 mil para quem apontasse o paradeiro de Hugo e teria ameaçado juízes e promotores estaduais caso tentassem tomar alguma medida que atrapalhasse os seus planos.
Hugo foi queimado e morto. O seu corpo foi encontrado no Piauí, segundo o MPE. O irmão de Pascoal, Pedro, teve a prisão preventiva decretada por ser acusado pelo crime do adolescente Wilder.
DEFESA- O deputado estadual Cosmoty Pascoal disse hoje que sua família está sendo vítima de uma perseguição política. "As testemunhas que estão nos acusando não gostam de nós, porque o Hildebrando colocava todos atrás das grades", disse o deputado. Segundo ele, faltam provas concretas para a acusação.

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