France PresseO rabino Henry Sobel exibe o diário de Blume, que pode explicar a origem dos 230 itens encontrados no cofreDurante a abertura do cofre do nazista Albert Blume (falecido em 1983), ontem, na agência central do Banco do Brasil, em São Paulo, o advogado da tia e herdeira do alemão, Margarida Blume, de 95 anos, disse que ela está disposta a abrir mão da herança. ‘‘Isso se ficar comprovado que os bens foram confiscados de judeus europeus durante o Holocausto’’, disse o advogado Fernando Simas Filho. Os bens contidos no cofre de Blume foram avaliados na época (fim da década de 30) em US$ 4 milhões.
A abertura do cofre foi determinada pela Justiça, que atendeu a pedido da Comissão Especial de Apuração do Patrimônio Nazista no Brasil. O pedido foi feito com base na suspeita de que Blume poderia ser depositário do ouro pilhado pelos nazistas e enviado ao País durante a Segunda Guerra Mundial.
Blume chegou ao Brasil em 1938, dois anos depois de ter sido expulso do Partido Nazista, na Alemanha. ‘‘Ele havia se filiado em 1933 e chegou a prestar serviços para a Gestapo’’, afirmou a historiadora Luiza Tucci, integrante da comissão. Segundo ela, Blume foi expulso do partido por não estar correspondendo aos serviços e por ser homossexual.
Além da ligação com o partido nazista, outro fato intriga os membros da comissão: o que teria levado esse alemão a viver de maneira tão modesta, apesar da fortuna depositada no banco. Blume morreu em 1983, tendo sido enterrado como indigente. ‘‘Temos algumas razões para estudar o caso’’, afirmou o advogado Eduardo Borttallo, integrante da comissão. Segundo ele, há no momento apenas alguns fatos que chamam a atenção. Uma das explicações para o dinheiro e jóias guardadas era a provável atividade de Blume: a agiotagem.
As respostas, no entanto, poderão começar a aparecer nos próximos dois meses. Nesse período, peritos indicados pela comissão vão analisar os objetos contidos no cofre. Em relatório feito pelo inventariante dos bens de Albert Blume estão reunidos no cofre mais de 230 itens. São jóias, relógios, dinheiro de vários países, próteses dentárias douradas e jaquetas de ouro, além de alianças de casamento. ‘‘O máximo que poderemos comprovar pelos testes é de onde veio o ouro encontrado nos dentes e de que época são’’, afirmou o advogado. A grande esperança, porém, é um diário, escrito em alemão, logo que Blume chegou ao País. Um tradutor já foi procurado.
O procurador de Justiça Roberto Livian estava ontem na cerimônia de abertura do cofre. Ele foi designado pelo procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Luiz Antônio Marrey, para estudar o processo e acompanhar o caso. Segundo ele, mesmo que seja comprovado que Blume era depositário do ouro nazista, há um longo caminho a percorrer até que seja decidido o destino da fortuna.

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